Estava revendo ontem “8/12″ e me apaixonei de novo por Anouk Aimée. Acho que tenho bom gosto para mulheres. O que pode levantar comentários, claro.

Daí fiquei com curiosidade de saber como ela está agora, vecchiarella. Não me decepcionei. Essas atrizes francesas ou italianas da década de 50/60 na maioria não perderam ao envelhecer muito da beleza original. Jeanne Moreau, Catherine Deneuve, a própria Anouk Aimée – nenhuma chegou no nível de bizarrice de uma Bette Davis, nem na decadência meio deprimente de Marlene Dietrich nos últimos anos.
Me pergunto se não é um pouco porque essas atrizes, mesmo na época, já tinham esse charme de mulher angustiada, de mulher infeliz no casamento ou algo assim. Não lembro de um papel de Jeanne Moreau em que ela não quisesse em algum ponto se separar do marido. Catherine Deneuve também – “Belle de Jour” springs to my mind. E Anouk Aimée fez boa parte da carreira tendo casos fracassados ou se divorciando do Marcello Mastroianni (em “La Dolce Vita” e “8 1/2″; exceção: “Un Homme et Une Femme”). Isso, claro, só veio a favorecer a imagem delas na velhice. Infelicidade no casamento é um dos fundamentos mais seguros para uma mulher basear seu charme: é uma das poucas coisas que provavelmente vão acompanhá-la a vida inteira. A carne até pode decair, mas esse encanto se mantém.
(Acho que a mesma coisa acontece com cantores de música pop. A dignidade na velhice deles diminui em proporção direta com a quantidade de dancinhas/caretas que eles faziam quando jovens. É por isso que jornalistas vivem dizendo que Mick Jagger está ridículo aos 60 e que Iggy Pop parece uma boneca de palha, enquanto David Bowie e Lou Reed podem até andar meio caídos, mas ridículos eles não estão.)
Arquivo de julho de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008

