Arquivo de agosto de 2006

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Existem blogs constrangedores como uma propaganda de laxante.

domingo, 27 de agosto de 2006

pandas

Me contaram ontem que pandas são bichos idiotas que só comem porcaria e copulam uma vez no ano e que logo logo vão ser extintos.
Quase a classe média.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

the wit and wisdom of fred astaire

fred astaire royal wedding.jpg
A cena aquela de Royal Wedding foi gravada num cenário que um mecanismo fazia girar 360 graus; assim, Fred Astaire parecia dançar pelo teto e pelas paredes quando na verdade não saía do chão. Num dos ensaios, talvez por um passo errado, talvez por uma falha do mecanismo, Fred Astaire caiu, levando junto a mobília do cenário, que não estava bem presa. O diretor, já temendo o atraso em que daria o acidente, gritou: “Fred, você machucou alguma coisa?”, ao que ele respondeu de baixo da pilha de móveis: “O coração do meu alfaiate.”

domingo, 20 de agosto de 2006

amo muito tudo isso

“Porto Alegre change plus vite que le coeur d’un mortel”.
Charles Baudelaire, Les Fleurs du mal
Fico sabendo que fecharam o banheiro de cima do Ocidente. Chocante, muito chocante. O banheiro de cima do Ocidente devia ter sido tombado pelo patrimônio histórico; quanta gente boa nos últimos 20 anos não cheirou até morrer, quantos pais de família não pegaram AIDS lá dentro? E tudo com a bênção de uma imagem de Cristo e uma de Maria… Sim, meus senhores, o Brasil é realmente um país sem memória.
E então vou correndo até a João Telles com a Oswaldo Aranha; numa festa em que estava todo mundo vestido como figurante de algum filme 60’s do Antonioni, dou com a porta lá de cima lacrada, os banheiros novos no térreo. “É a via do progresso!”, o Comendador Coutinho que mora sob a minha pia-máter começa a discursar. E fico contemplando os filisteus, embriagados pela felicidade baixa de enfim terem uma privada no banheiro, com a melancolia de Baudelaire passeando por Paris reformada. Nisso, a porta vai-e-vém com mola nova bate com força demais na cara duma bixinha que entrava dizendo “Ai, que tudi, banheiro novo!…” e ela cai desmaiada. Vou embora, pifiamente vingado.
São quase três da manhã. Decido voltar para casa – que fica no Iguatemi, ali do lado – a pé.
Vou caminhando pela Oswaldo Aranha – texto sobre boemia em Porto Alegre sempre tem que ter essa cena: alguém saindo dum bar sozinho e caminhando pela Oswaldo Aranha; se, às três da manhã duma madrugada fria a Oswaldo Aranha já tem um je ne sais quoi de desolação, agora, com essa lição sobre o desconcerto do mundo através do banheiro do Ocidente, me vem uma melancolia ainda mais romântica: as árvores do parque, os carros, mesmo o lixo na calçada me parecem mais belos exatamente porque sei que eles vão passar.
Mas também fico pensando que Porto Alegre é uma cidade filistina que deviam implodir inteirinha, de preferência sem evacuar os prédios; ao ver de longe a torre da Vivo, percebo que nem precisa muito de lixeiras aqui já que os arquitetos se encarregaram de fazer da cidade inteira uma lata de lixo, e que querer mais latas de lixo em Porto Alegre é querer que tenha uma lata de lixo dentro de outra lata de lixo e que essa lata de lixo tenha outra lata de lixo ainda menor, numa grande boneca russa com os cantinhos chanfrados e más proporções.
Paro então para ver os arranha-céus modernistas que apagaram casinhas coloniais do século XVIII exatamente como os banheiros novos do Ocidente apagaram uma coisa que eu não sei o que é. Me vem um verso do Drummond. Esse mesmo.
Na Protásio Alves, pego um táxi – até o Iguatemi a pé, bem capaz!
(Melancolia pretensiosa não resiste a uma tarde na academia.)

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

esquadrão relâmpago changeman

latex 3.jpg

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domingo, 13 de agosto de 2006

the wit and wisdom of bryan ferry

bryan ferry 72 !.jpg
Bryan Ferry voava num Boeing de Londres para Nairobi quando foi acordado por uma turbulência e uma perda súbita de altitude. Um passageiro, portador de doenças mentais e roupas do mesmo nível, tinha entrado com uma arma no cockpit e feito um dos pilotos de refém; naquele momento, era ele quem estava no controle, tentando derrubar o Boeing. O co-piloto, entretanto, conseguiu fazer desviar o avião. Mas logo ele também caiu sob poder do seqüestrador, e agora uma outra descida levava os 400 passageiros para uma colisão com as dunas do deserto africano. Foi quando um grupo de passageiros invadiu o cockpit e, depois de uma rápida luta, desarmou o maníaco, imobilizando ele no chão.
Perguntado mais tarde sobre o que tinha pensado durante o episódio, Bryan Ferry declarou: “Bom, eu não gostei nada das meias daquele louco; elas eram azuis e tinham umas listras horríveis.”
E tinham mesmo:

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quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Sinto entre nós a presença de um espírito zombeteiro.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

boney m, messias do arte pela arte

Acima de tudo, nunca falar da natureza. A natureza é o que existe de monótono, de estúpido. O mar, que coisa idiota; milhões de anos, e sempre o mesmo movimento, fazendo o mesmo barulho.
(Mas como o mar muda quando aparece pintado. De Géricault a Monet, menos de cem anos.)
Nada estranho que em épocas muito democráticas as pessoas fiquem pintando e fazendo música pra garoa, pro guaxinim. Talvez porque Lawrence estivesse certo, o povo é quase como a garoa, o guaxinim: não muda – Clifford Chatterley comparando os escravos de Nero com as massas do século XX para Constance, e ela negando mas sabendo que ele tinha razão.
A decadência da cavalaria e o realismo político, o fim do Império Austro-Húngaro e o aparecimento da meia de lurex, e o mar no mesmo barulho, e as velhas fazendo chá de carqueja pra emagrecer. Agora cala a boca que tá tocando “Daddy Cool”:

sábado, 5 de agosto de 2006

I’m a proud friend of hezbollah

lego mohammed.jpg

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

the wit and wisdom of lord alvanley

alvanley.jpg
Depois de ter insultado o líder católico irlandês Daniel O’Connor durante uma sessão na Casa dos Lordes, Lord Alvanley, segundo Earl de Alvanley, foi desafiado por ele em duelo. Entretanto, como O’Connor já tinha duelado e matado um homem dez anos antes, seu filho, Morgan O’Connor, foi no lugar do pai. Os dois duelistas se encontraram em Wimbledon para um confronto de pistolas. Depois de vários tiros errados, os padrinhos intervieram, e o duelo foi dado por encerrado. Voltando do campo de tiro, Lord Alvanley comentou: “Este O’Connor tem que ser muito desajeitado para não acertar um sujeito gordo como eu; ele devia treinar num monte de feno.”
Mais tarde, retornando para casa num cabriolé, Lord Alvenley deu ao coheiro um sovereign. “Obrigado, sir,” disse o cocheiro, surpreso, “mas um sovereign é dinheiro demais só por ter levado o senhor a Wimbledon”. “Não, meu rapaz”, Lord Alvanley respondeu, “isso não é por ter me levado a Winbledon, é por ter me trazido de volta.”