- Ricardo, o popular, se frustrou com a cidade grande. Depois da formatura, só recebeu convite pra ser goleiro. Decidiu, então, casar com uma menina de Sapiranga, e foi-se pro interior. Só pra ser o cara “da capital” e ganhar aperto de mão em boteco.
Ah, no time de Sapiranga, Ricardo ficou de atacante. Parabéns, Ricardo.
- Ingrid, a nerd da sala, se mudou pra São Paulo. Lá, conheceu o Flavinho num fã-clube de animê. Casaram. Mas a Ingrid, sendo ele ainda mais nerd do que ela, se decepcionou. Começou a passar em revista os colegas de fã-clube.
Quando nasceram os gêmeos, surpreendentemente japoneses, Ingrid ficou com medo. Sem razão: o Flavinho, mesmo sem entender nada, achou tudo o máximo. Dizia que os dois pareciam personagens do “Cowboy Bebop”.
Ingrid, como sempre, só ficou aliviada.
- Cláudia , a menina bonita, melhorou o nariz, colocou aparelho, botou um pouco mais de teta. Ficou ainda mais bonita.
- Júlia, a menina feia, melhorou o nariz, colocou aparelho, botou um pouco mais de teta. Ficou ainda mais feia.
- Régis, o gay da sala, desfilou no carnaval fantasiado de “Péricles: Ascensão e Glória do povo grego”. Ficou um luxo.
-Chico, o garanhão da sala, desfilou no carnaval fantasiad…
- Ok, mas e o povo “nota 6″; aqueles bem quietinhos, nem feios nem bonitos, nem gays nem garanhões, de que ninguém lembra nome e endereço, sabe, como é que ficararam?
Nota 6, de novo. Ficaram na média.
Arquivo de abril de 2005
o que acontece aos nossos colegas de 2o. grau
las guevara
Hoje de manhã, por exemplo. Ligo a tv: três barbudos, um violão e uma sala cheia de móveis quebrados, pichações nas paredes e posters do Sebasitão Salgado. Ainda, num canto, um cachorro sarnento olhando desconsolado pra uma garrafa de cerveja meio quente; no outro, um hippie bebendo vinho Garibaldi. Enfim, um ambiente tão luxuoso que não pensei duas vezes: só podia ser diretório acadêmico de universidade pública. Impossível se conter: “Céus, mas será que a MTV não cansa! Que que é isso? Mais um desses grupinhos de três-professores-de-sociologia-marxistas-que-cantam-dançam-representam-e-rebolam-até-lá-embaixo-dum-jeitinho-sensual? Inferno!”
E era. Eles páram de tocar; um deles pega o vinil de algo como, sei lá, como Destiny’s Child – “bem mais roots que o CD, cara”. Os três se entreolham, sorriem e largam o violão.
Corta pra uma externa, no pátio da faculdade. A música: “Can you keep up/ Lenin boy/ Make me lose my breath/ Hit me hard/Make me lose my (ah-ah)”, e os três no topo duma escada, de shortinho jeans desfiado, miniblusa preta do Che Guevara e o panção peludo de fora. Aí, começa a coreografia; eles descendo a escada com passinhos sicronizados, fazendo cara de quem quer mais, e com aquele requebrado sensual que só quem leu as obras completas do Antonio Gramsci pode ter. Neste ponto, eu já estava paralisado, segurando a faca de manteiga uns três dedos acima do pão. Mas o melhor veio depois, quando eles chegaram ao último degrau; os três levantaram os braçinhos, quebraram a cabeça pro lado, e desceram até lá embaixo, com o corpo duro, duro, mexendo só o quadril em movimentos circulares. Não pude conter uma ereção.
Aí, cortaram para o mais gordo, que devia ser o líder, a Beyoncé do trio. Porque era o momento de ele dar show sozinho. Um longo travelling de baixo pra cima, desde a sandália fransciscana até a cara barbuda e maquiada, demorando mais tempo (óbvio) sobre o short e a miniblusa do Che. E ele lá, agarrado num poste, cantando com uma cara bem lânguida, tremendo a boca e revirando os olhinhos pra exagerar nos agudos. Lindo! Lindo!
Depois veio uma cena confusa: um dos integrantes fazia scratches em “Construção”, do Chato Buarque, enquanto uma menina riponga, de saião indiano e sem calçinha, girava de perna aberta na pista duma discoteca black. Senti que meu chá com leite já espumava pelo nariz.
Mas o auge veio no fim. Do nada, o cenário muda, e aparece um daqueles palcos tipo Sílvio Santos ou, pior, programa de auditório da tv italiana. Muita luz, muitos flashes, muito glamour. Surgem os três de biquini, sandália prateada e boina vermelha, fazendo juntinhos a coreografia e dublando o refrão (“Can you keep up/ Lenin boy/ Make me...”). Atrás, uns sete ou oito rapazes fortes, com barbichas postiças à la Fidel Castro, uniformes do exército sem mangas e calças de crochê, que é pra mostar um pouco do que Deus lhes deu, sabe como é. Todo mundo dançando break, bem animado. E então, no final, já com aquela legenda da MTV na tela (Artista: Las Guevara; Música: Can you keep up, Lenin-boy; Disco: Rebolando pelo social), três desses dançarinos vão pra frente do palco, cada um pega o seu professor-marxista e ergue ele nos ombros. É o grand finale. A música pára; os três guevara-boys abrem os braços, sorriem forçado, e vrum, a imagem congela.
Voltei a mim com medo de encontrar esta gente na aula.
Mas gostei muito do clipe. Bem original pra estas girl-bands, que, em geral, são todas iguais. Menos o final, Liza Minelli demais pra mim.
Bizarra esta MTV de manhã cedo.

Foto de início de carreira das “Las Guevara”. Notem à extrema-esquerda (!) ABC Castro, que largou o grupo em 1999 a fim de emigrar de Cuba pros States como baby-sitter.
dicas de beleza “avon” para uma escrita saudável
1) pegue a caneta com firmeza. e não, não é só por uma questão de boa caligrafia. as idéias saem menos frouxas também.
por isso, desconfie sempre de autores que dizem escrever com o coração, com o inconsciente, com os dedos dos pés, com os esfíncteres. e desconfie igualmente de todos esses, mas sobretudo dos últimos. a não ser que tenham os esfícteres prensáteis (hmm), só podem escrever mal.
2) tenha certeza de ser um gênio. mesmo que não seja. somente mentes rudes se preocupam com detalhes desta ordem.
3) nunca se confesse. nunca seja sincero. lembre-se da marquesa de merteuil, a glenn close das “ligações perigosas”: ninguém escreve ou fala para si próprio, mas para causar efeito nos outros. logo, não há necessidade nenhuma de fazer coincidir o que cruza a barreira dos dentes com o que se passa sob a pia-máter. (mas não perceber isso já não é a maior prova de que nada se passa sob a pia-máter!? sim, sim, e isso inclui o drummond.)
4) seja mau. mr. hyde é a melhor imagem do bom escritor. passe o dia todo guardando sarcasmos, ironias, cenas ridículas, e seja estóico, não ria. depois, no fim da tarde, relate tudo no papel, com as mãos meio em concha mexendo os dedinhos, enquanto a luz do lampião de baixo pra cima faz sombras no seu rosto e você sorri com os dentes podres.
mas não basta ser mau. tem que ser engraçado, além de tudo. no rodapé de um dos cadernos do jackobson, achei uma fórmula esquecida, daquelas que ninguém leu ou comentou:
ESCREVER BEM = HUMOR + MALDADE
isto é simples o suficiente para escapar à navalha de occam, não é mesmo? toda a teoria da literatura está aí. figuras de estilo, por exemplo: quando você mistura os dois termos à direita da fórmula e quer deixar bem claro o que está fazendo, isso leva o nome de sarcasmo; quando quer parecer que não está sendo mau, ao mesmo tempo em que deixa óbvio estar sendo, isso se chama ironia. o mesmo para entender os escritores; quando você carrega no termo “humor”, tem o oscar wilde (e não, não, você não precisa me lembrar da crueldade de “the importance of being ernest); quando põe uns gramas a mais no fator “maldade”, tem o eu-lavo-meu-carvalho (www.olavodecarvalho.org). fácil, né?
agora, cuidado: a quebra desta cláusula é um dos principais motivos pelos quais a maioria dos blogs de jovens escritores, militantes de esquerda ou meninas recém-desvirginadas invariavelmente nos causam bocejos. falta-lhes olho frio e espírito de porco, e é essa falta que os leva a apanhar do próprio texto. no fundo, são como aqueles bebês que nascem pequenos demais, fraquinhos demais, feinhos demais, e que sufocam nas próprias fraldas.
5) tenha “consciência do papel do escritor na sociedade”. isso quer dizer, veja-o como ele realmente é: um macaco de realejo, mas sem palco e sem realejo, que tem que entreter o público. ã-hã, só isso; fazer o público rir, chorar, atirar ovos, linchar o adestrador, e todos os outros atos civilizados que humanos encenam quando amam ou odeiam. e lembre-se de que, para conseguir isso, vale qualquer coisa: fazer caretas, atirar cocô no público, balançar o pinto duro ao som de freak le boom boom; qualquer coisa mesmo neste fucking world, menos parecer muito sério e engajado, e dizer que escreve para resolver os problemas do mundo ou para “se encontrar”. (claro, aqui há exceções. só pode ser engraçado ver um macaco muito grave e muito preocupado com as favelas brasileiras, imitando o afonso romero de sant’anna ou a lygia fagundes telles.) o bom senso, regra geral, está proscrito, a não ser que você prove que mostrar o tico pra platéia é algo que descartes recomenda na “quarta meditação”.
com base nesta analogia simiesca, preparei um “albinho” com imagens de alguns dos principais autores de língua portuguesa de acordo com a maneira que sobem no galho (ops):

aqui, joão guimarães rosa, célebre autor de “grande sertão: veredas”, na sua cerimônia de entrada para a academia brasileira de letras. o ar muito sério e pensativo disfarça uma só inquietação em sua mente: “será que vai ser só chazinho, ou rola uma banana também?”

aqui, última foto de clarice lispector, macaca já velha, meio bêbada e toda queimada. ganhou muito dinheiro como boa comediante, entretendo multidões de gays e de mulheres desquitadas, mas fingindo que escrevia “para si própria”. lá ri rá.

foto-emblema da associação dos Escritores Socialistas em Prol do Amor Livre Universal. aquele, o dos beiços sensuais, é o josé saramago; o menorzinho, o eu-lavo-meu-carvalho. na foto não aparece, mas depois eles dançaram um tango homoerótico, com direito a batom e bigode, e depois declararam paixão eterna só pra mostrar que “é possível ter amor entre um comunista e um cristão. e viva a diversidade!”. charming, little darling, charming.
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“porque nós, aqui da “avon”, queremos ver você sempre um pouco mais bonita.”
moda, ibiza, locomia
pequeno tratado de urbanismo canalha
todo mundo fala que o urbanismo do le corbusier e do lúcio costa é ruim. dizem que é tudo muito bonito, muito organizado, mas também muito frio, inumano, e que as pessoas não se sentem à vontade pra “se apropriar da cidade” (e todos enchem os olhos d’água, e ouve-se ao fundo o tema de “dr. jivago” ).
como se isso não fosse qualidade. pessoas “se apropriando” do espaço público significa pessoas saindo pra rua mal-vestidas, falando mal uns dos outros e jogando papel no chão. ou seja, fazendo coisas que você, leitor, diz na academia achar bonito sob o nome de diversidade, mas quer distância quando cruza a soleira da porta, não é mesmo?
para mim, a cidade ideal é o rêve parisien do baudelaire; uma coisa vazia, silenciosa, meio mineral. e com telentregas pra tudo: pizza, hospital, açougue, banheiro público. só assim acaba-se com os abusos destes velhos aposentados que se acham no direito de usar chinelo com meia pra “ir rapidinho ali na padaria”, ou dessas donas-de-casa que correm pra rua de pantufa e tudo só porque o marido teve um derrame cerebral. uma absurda falta de civilidade, não acham?
fiz uns planos com sugestões urbanísticas para algumas das maiores cidades brasileiras. claro, de tão geniais, eles foram imitados por muita gente, mas agora, leitor, tenha certeza de estar vendo os originais:

<em>mais de quatro ruas largas em são paulo pra quê? passada essa quantidade já é o caos, uma colcha de retalhos que na itália eles insistem chamar de cidade. gente estranha.</span
e além de belíssimo, este modelo é prático: se você tiver dor de barriga e quiser ir até a zona de farmácias que vende supositórios azuis (ZFVSA, indicada no mapa pela seta), é só deixar seu carro na vertical mais próxima (V1), pular alguns muros de quintais e, pronto, você chega ao seu querido supositório. maravilha, não?
mas há ainda outras mudanças que operarão pelo progresso da cidade. o tietê, por exemplo. seu leito curvo combina mal com os ângulos retos que eu projetei. daí, pensei que ele poderia ser represado e transformado em lago. em lago quadrado, é claro, e localizdo na zona azul da parte superior do mapa. são paulo teria o maior esgot..lago quadrado a céu aberto do mundo!

minha sugestão de urbanismo para o rio. o plano traria modificações muito benéficas para a cidade. por exemplo, a aglomeração de todas as favelas na zona periférica amarela. ah, a área é muito pequena para a quantidade de pobres? bom, como todo o urbanismo “mexe com o contexto social”, e como a gente deve sempre pensar em soluções “a este nível”, sugiro a aplicação dos planos canibalescos do swift para a redução do número de pobres na irlanda. a carne mais barata no mercado não é a carne negra? foi a elza soares quem falou; eu não disse nada.

por fim, minha sugestão de urbanismo para porto alegre. este plano foi baseado nos princípios do blau reiter: desenho a mão livre; formas expressando diretamente a emoção do artista; inspiração na arte de loucos, crianças más, mulheres que usam ombreira e outros excluídos.
tá certo, pode até ter ficado uma merda. mas é inegavelmente mais bonito que o atual. e, além disso, o que é a beleza perto da “inspiração genuína” de um mestre?
não muito, não é, meu filisteu leitor?, não muito.
o que me disse um papagaio nietzscheano
opinião comum de gente idem que lê homero: a odisséia é muito melhor que a ilíada. e ulisses é muito melhor que aquiles; para eles, um personagem mais complexo, mais moderno, mais “multidimensional”, se for um professor matraqueando. trá lá lá.
que pobreza. o que eles não vêem é que o aquiles nos parece menos humano exatamente por ser mais que um homem, por trocar uma vidinha qualquer por uma morte cheia de glória, por levar às últimas conseqüências uma moral. é isso; uma moral: uma moral antiga, aristocrática; é isso que esta gente não entende. aí, fazem filmes em que o aquiles é um alexandre frota de couraça.
(e ele ainda tem aquele lance com o pátroclo; bonito, muito bonito.)
já o ulisses é um matreiro, um burguês que volta pra casa e dorme na barra da saia da mulher.
não se conveceram? último argumento (imbatível): aquiles inspirou alexandre magno. ulisses, james joyce.
será que agora deu pra sentir a diferença?
akitas brancos não sabem enterrar
a pior experiência que já tive foi trabalhar. trabalhar, não; fazer estágio (prefiro assim: parece que foi obrigatório e dá um pouco da auto-contraditória “dignidade universitária” à coisa). a prefeitura precisava de gente que soubesse inglês e francês para receber turistas; o horário era bom; a remuneração, nem tanto; mas eu acabei aceitando mesmo assim. o que foi um erro. ao fim de seis meses, a aventura me valeu um intenso tratamento com prozac, monty python e doses esparsas de pornochanchada brasileira.
porque, céus, aquilo era triste demais. o que mais me deprimia no tal “contato com o público” não eram nem as mulheres pançudas, estufadinhas nas sua miniblusas de lycra; nem a grosseria de pais de família gordos e bigodudos, querendo saber preços de churrascarias; nem as gírias que adolescentes espinhentos forçavam pra dentro dos meus augustos ouvidos, num dialeto semi-bárbaro que lingüistas insistem em chamar de “variação do português”. não, não, o que mais me deprimia era a freqüência com que senhoras viúvas, mal vestidas e entediadas, apareciam no meio da tarde só pra saber “o que tem de bom pra fazer na cidade.” é claro que não tinham a mínima intenção de fazer nada daquilo que lhes informávamos. em compensação, quando viam o folheto de mais uma pizzaria nova no partenon ou, sei lá, de um circo (sim, um circo!) passando pela cidade, que emoção! eram exclamações de prazer orgástico: “olha, que maravilha!”, “mas esta pizza tá com uma cara muito da boa. se não fosse de papel, já ia querer um pedaçinho!”, e riam forçado, mostrando ao mundo as suas dentaduras meio amareladas.
mas havia “clientes” que eu atendia com prazer 1) jovens de porte atlético; 2) akitas brancos. principalmente estes, que são tão atraentes quanto os primeiros, mas ligeiramente mais espertos. enquanto meus rudes semelhantes humanos queriam saber se servem bastante comida no baile da cidade ou qual é o tamanho do chopp no bar do edinei, os akitas pediam licença, esfregavam as patas no tapete, e pegavam apenas os horários das apresentações da orquestra sinfônica. ou então, vinham simplesmente para conversar. sobretudo sobre livros e visconti. às vezes, queriam alguma dica sobre bons restaurantes franceses, e houve um – hoje sei: meio metrossexual – que pediu o telefone do jacques janine. fiquei emocionado. e que elegância tinham eles ao sentar! sentavam nas poltronas da sala de espera, as pernas cruzadas, o rabo curvo pro lado, fumando cigarros belgas e olhando a nossa eterna deselegância simiesca com um sorriso de cruel ironia.
algumas colegas se queixavam desta atitude principesca; houve uma que se sentiu inexplicavelmente ofendida quando o mais franco perguntou se ela pintava o cabelo de loiro ou se era peruca mesmo; mas eu me aproximei muito destes animais tão nobres e fascinantes, e foi o mais perto que cheguei do robert de montesquiou. isso porque, se podiam ser cruéis, de uma inteligência aguda e sádica, eram muito fiéis quando simpatizavam com alguém. e simpatizavam comigo. não foram poucas as ocasiões em que algum deles me esperou ao fim do expediente, me levou de choffeur até um restaurante caro, ordenou que tocassem debussy ao violino, e ainda pagou a conta no final. nunca tive amigos tão bons, ou seja, com tanto dinheiro e bom gosto.
quando fui demitido por vagabundagem (passava o tempo todo lendo henry james e recebendo meus amigos no horário de trabalho), perdi o contato com muitos deles – acho que é porque a aristocracia tem a saudável mania da independência. mas me sobraram as fotos. partilho com vocês agora algumas das que me trazem as melhores lembranças:

meninas, acalmem-se: este não é o david beckham (apesar de a posição do rabo dar margem a confusões). é só um amigo que veio me buscar pra jantar (sushi, é claro) depois de uma tarde no jacques janine. ele tem este hábito estranho de ir a salão de beleza quando sabe que vai ser fotografado.
(ah, não dá pra ouvir, mas o que estava tocando de fundo era erykah badu. não, não, ele não é gay.)

notem a elegância dos dois vendo “o leopardo”. principalmente a maneira de o branco juntar as patas dianteiras; sem dúvida, isso só se aprende lendo com esmero “o cortesão” .
mas não, eles não são nada empolados. e os dois foram a melhor companhia que já tive no cinema; eles SABEM assitir a um filme. por exemplo, pela língua estirada e as orelhas em pé, dá pra ver que estamos na cena da valsa entre a claudia cardinale e o burt lancaster. claro, os dois ficaram emocionadíssimo; mas, no final, chegaram até a esconder os olhos entre as patas, por acharem vulgar demonstrar arroubos emocionais em público. não seríamos todos mais felizes se pedagogas que choraram em “invasões bárbaras” se pautassem pela mesma etiqueta?
a pouco revi “o leopardo”com um amigo. comentários: “orra, que filme parado”; “puta gostosa essa mina; porque não msotram ela pelada?!”.
ah: akitas não ouvem rap.”





