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novembro 07, 2007

my own private camille paglia

Não tenho muita vergonha de admitir que gosto de música disco. Claro que existe algo de embaraçoso em imaginar Celebration tocando em festinha de fim de ano de empresa, aquela "animação" toda enquanto a trintona encalhada dá em cima do gerente de camisa pólo para dentro da calça jeans. Mas para mim há uma nuance que escapa a quem afeta desprezo por hits de Donna Summer et allii (vocês sabem, o povo tomate-seco-com-rúcula da música pop): o contraste entre as letras todas românticas das músicas e o clima bem menos romântico das discos. Grace Jones chorando por um homem em I Need A Man e as pessoas em volta agindo como se quisessem bem mais que um.

Mas o uso de disco em festa requer certos cuidados. Lembro que nos anos 90, quando as pessoas subitamente ficaram nostálgicas de ABBA e meias de lurex e ficaram meio gays também, se fazia uso indiscriminado de Hot Stuff e etc. Nada mais errado. "Disco music em início de festa non funziona", já dizia Ezra Pound. Fica parecendo noitada no Chip's ou em qualquer outro lugar temático em que pessoas desquitadas de 50 anos saem para arranjar novas incomodações. Nos anos 2000, ao menos no Ocidente, já descobriram que o ideal é depois das 4 da manhã, quando todo mundo está meio bêbado e já fez a digestão do tomate seco com rúcula.

Posted by Rodrigo de Lemos at novembro 7, 2007 04:40 PM

Comments

Bem, já que entramos no terreno das confissões embaraçosas, eu era um fundamentalista do rock quando o disco surgiu (embaraçoso aqui é o cálculo implícito da idade) e execrei a novidade com toda a força dos preconceitos da adolescência. Hoje, um embaraçoso número de anos (décadas, ok) depois, eu me retiro imediatamente de uma festa se tocarem os rocks do meu tempo (dá para ouvir Led Zeppelin muito chapado, mas dançar é ridículo). Se rolar disco, porém, o antigo roqueiro enragé solta a franga (na alta madrugada e bem bêbo, concordo)

Posted by: F. Arranhaponte at novembro 7, 2007 06:01 PM

Tu também quebravas LPs de disco em público? Que de época. :-)

Mas para mim não pode ser qualquer disco music não, que o meu gosto para essas coisas é MUITO apurado. Nada de ABBA e Village People, nada de muito óbvio. Bom mesmo é Giorgio Moroder, Bonney M, Lipps Inc., disco music mais, hm, indie.

Posted by: rodrigo de lemos at novembro 7, 2007 06:26 PM

Não chegava a estes extremos não. Era uma rebelião mais medíocre, que se resumia a ficar de cara feia quando rolava disco nas festinhas e a resmungar pelos cantos. Talvez eu devesse ter quebrado discos para ter o que contar pros meus netinhos (mas pera lá, vamos com calma, também não é isso tudo não - ainda estou muito longe de tê-los :))

Posted by: F.Arranhaponte at novembro 7, 2007 09:43 PM

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