« o ponto certo para parar de beber: | Main | little shop of horrors »
outubro 22, 2007
quentin crisp
Queria linkar algum texto biográfico sobre Quentin Crisp, mas absolutamente todos que achei só falavam de como Quentin Crisp passou a vida toda apanhando e ouvindo palavrões dos malucos homofóbicos de antes dos anos 60. Às vezes dou graças a Deus por os gays brasileiros serem tão iletrados; só assim eles poupam os escritores gays daqui de virarem as vítimas favoritas para as causas deles.
No geral não gosto muito dessas vidas cheias de drama. Ontem vi "Piaf", muito bem feito, mas o problema de biografia é que só se faz biografia sobre gente que perde filhos tragicamente e sofre acidentes horríveis e morrem viciados na droga da moda. Quando é que vão fazer uma biografia sobre Wateau? E sobre Monet? Seria quase ultrajante passar duas horas vendo a vida de sujeitos que escreviam ou pintavam cinco, seis horas por dia, depois saíam por aí para dar uns passeios.
Quase transformaram a vida de Quentin Crisp numa tragédia do tipo. É verdade que o sujeito nos anos 20 levava objetos na cabeça por andar nas ruas de Londres com as unhas - dos pés - pintadas e outras coisas bonitas. Mas quando os gays começaram a "exigir seus direitos" nos anos 60 e sondaram Quentin Crisp para se tornar a madrinha da bateria deles, a resposta que ele deu foi clara: "I don’t think anyone has any rights. I think you fall out of your mother’s womb, you crawl across open country under fire, you grab at what you want, and if you don’t get it you go without, and you flop into your grave. So, you have to make up your mind whether to grab what you want, fight for it, or ask for it. Now if you’re in a minority, the only thing you can do is ask for it, because otherwise you will lose." Depois ele passou os anos 80 e 90 inteiros tendo de se desculpar por isso. Que tristeza deve ter sido ter um pouco de espírito entre os anos 60 e a internet.
Então aqui vai uma seleção de citações de Quentin Crisp, algumas tiradas de "The Naked Civil Servant", que estou lendo com um prazer que não tinha há tempos com livros.
E aqui a última apresentação do seu pocket show um pouco antes de ele morrer, em 1999.
Posted by Rodrigo de Lemos at outubro 22, 2007 04:44 PM
Comments
Por que é que eu conheço tão pouca gente? Não conhecia Quentin Crisp, gostei das citações. O show não vi, tenho gastado a vida baixando House - um seed inacreditavelmente lento. :(
Posted by: Gustavo at outubro 22, 2007 08:36 PM
mas o vídeo é o melhor!
Posted by: rodrigo de lemos at outubro 22, 2007 10:39 PM
Então vou pausar House. Já tenho três episódios adiantados, mesmo.
Posted by: Gustavo at outubro 23, 2007 07:44 AM
Haha, muito bom, mesmo. E o final muito bonitinho. O tipo de cortesia que se diz sem parecer só bobo. Tem mais coisa dele por aí?
Posted by: Gustavo at outubro 23, 2007 07:52 AM