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outubro 04, 2007
hotel de rodoviária
Poderia me estender sobre os detalhes que não me agradaram muito nesta versão para o cinema em geral legalzinha de Vanity Fair, mas o principal é que se trata de um filme. Não, não é só que o cinema empobrece os personagens de um romance, condensa um monte de informações que dão brilho um livro como Vanity Fair. Mais é a promiscuidade da coisa toda, ver um ator que tinha feito o paizão batalhador ou o jornalistazinho engajado num filme antes de repente encarnando um Charles Swann, um George Osborne que você tinha imaginado com tanto carinho na solidão do seu quarto. Só que atores são assim mesmo, quartinhos de hotel de rodoviária que um personagem qualquer ocupa por um tempo, dependendo de quanto pagam. Só o que me entristeceu nessa versão de Vanity Fair foi ver a minha Becky Sharp hospedada num hotelzinho pulguento da Voluntários da Pátria.
(Não que Reese Witherspoon seja má atriz, não mesmo. Mas é que ver um grande personagem, como acontece no cinema, é muito menos prazeroso do que imaginar um grande personagem, o que um romance nos força a fazer. Por mais que um personagem pareça vivo, na literatura existe sempre uma distância respeitosa entre ele e o leitor - nós sabemos que Rebecca Sharp é só um amontoado de letras no papel. No cinema a relação com o personagem é mais direta, você vê a Rebecca Sharp ali na frente, como se pudesse tropicar com ela na feira. Por isso mesmo ela parece mais real, e mais comum.)
O mais triste, porém, é quando um personagem se instala num ator e não larga mais o quartinho. Vejam o Jonathan Rhys-Meyers. Me dói muito falar mal do Jonathan Rhys Meyers. Ele tem uma daquelas belezas masculinas que eu aprecio - sexualmente meio ambíguas, mas sem caetanice, sem nada de meigo. Pelo contrário até, alguma coisa de vilain garçon. E, no entanto, desde que ele fez David Bowie (imaginem aspas aí) em Velvet Goldmine, todos os personagens dele são meio perversinhos e arrogantes e têm cara de quem assedia serviçais na mesa da cozinha. Síndrome de Malcolm McDowell, eu diria. O George Osborne dele nessa versão de Vanity Fair lembra o David Bowie de Velvet Goldmine até no corte de cabelo, e eu estava vendo a hora em que ele ia agarrar o gordinho que faz Jos Sedley como se Jos Sedley fosse um Iggy Pop que comeu muito Amendocrem.
*
Reese Witherspoon é meio feia, mas depois desse filme eu viveria com ela por um dia.
Posted by Rodrigo de Lemos at outubro 4, 2007 12:38 PM
Comments
Jonathan Rhys-Meyers é a síntese de tudo o que acho desprezível no sexo masculino. Ele parece ter estampado na cara que é um sujeito medíocre e mesquinho, tem uns olhos meios bobos chorosos, como um cão suplicante, uma boca com o lábio superior grande demais e uma compleição física um tanto esquisitóide. Para falar a verdade eu já desisti de assistir "Os Tudors" por causa dele. :)
Posted by: evelyn at outubro 4, 2007 01:40 PM
eu já acho o sujeito dolorosamente bonito. mas esse é um daqueles assuntos em que é uma bênção não chegar a uma conclusão.
Posted by: rodrigo de lemos at outubro 4, 2007 01:51 PM
Ó, falar em velvet goldmine. Juro que nunca consegui assistir, não acho aqui em lugar nenhum, nem consigo baixar nos torrents da vida. Na verdade, só quero mesmo é ver o Placebo ;-)
Posted by: igor at outubro 5, 2007 09:51 AM
Igor, nunca vi o filme, mas tá disponível no mininova.org, aqui http://www.mininova.org/tor/259243, aqui http://www.mininova.org/tor/629169 e aqui http://www.mininova.org/tor/775106
O primeiro tem vários seeds, deve dar pra baixar rápido.
Posted by: Gustavo at outubro 6, 2007 11:53 AM
Olá, eu sou novo, no quesito blogs, e estou em busca de parcerias.
Dá uma passado no meu blog e se gostar deixa um coment.
okay
vlw
Posted by: Rabuske at outubro 7, 2007 06:45 PM
Valeu, Gustavo. Vou lá ver o que dá.
E só depois deste comentário lembrei que há no mundo o Youtube. Vi algumas cenas, etc. Parece que vou gostar, mas nem sei se recomendaria entusiasticamente.
Posted by: igor at outubro 8, 2007 09:37 AM
Ei, Rodrigo, a cara do Rhys-Meyers está mais pra gay barato com raivinha que pra vilain garçon. E pra ti um vilain garçon não é o mesmo que um gay barato com raivinha, correto? =)
Posted by: Ronald at outubro 10, 2007 01:28 AM