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junho 24, 2007

a morte lhe cai bem

O que me preocupa não é saber se haverá vida para mim depois da morte, é saber que haverá vida para os outros depois da minha. Morrer em si já deve ser um saco - ficar lá parado numa sala cheia de gelo seco, fazendo sala para uns parentes mortos que a gente já tinha até esquecido. Aí vem um amigo e resolve fazer uma comunidade no Orkut: "Rodrigo de Lemos, 1 Estrela!", "Amizade além da vida!!!" e aquela foto da época em que tu resolveste imitar o penteado do guitarrista do Roxette. E o que ele escreveria na descrição? Comunidade para lembrar "momentos eternos de companheirismo", "um cara que era diversão garantida", "baladas, jantinhas e muitas polêmicas", quando na verdade a única coisa de que ele realmente lembra era de como eu debochava do vinho ruim que ele trazia para jantar na minha casa. Por isso a importância de selecionar bem a quem deixar os espólios da nossa intimidade. O segredo é escolher os inimigos pela inteligência, os conhecidos pela generosidade e os amigos por o que eles escreveriam em comunidades no Orkut depois que a gente morrer. Sempre sobra um idiota sortudo para viver mais tempo e lembrar por pura ingenuidade o nosso gosto musical em 1995.

Posted by Rodrigo de Lemos at junho 24, 2007 05:13 PM

Comments

"Ah, como eram boas as tardes ouvindo Legião Urbana e discutindo a letra de 'Faroeste Caboclo'. No coração pra sempreeeeee!!!!!1112233"

Espera você morrer que vou falar isso em alguma comunidade. Vou te constranger depois da morte. ;D

Posted by: Gustavo at junho 24, 2007 07:11 PM

Sobreviver a mim só o Odradek.

Posted by: Rolf Lima at junho 25, 2007 02:04 AM

Rodrigo,

Nem te conto o que eu escutava em 1995. ;-)

Posted by: Gabriel Trigueiro at junho 25, 2007 09:45 PM

Quando o Kiss veio ao Brasil, eu tinha 12 anos. Eu ouvia naquela época os discos do Roberto Carlos da minha mãe. Como estava ficando adolescente, decidi que era necessário começar a gostar de rock. Com o Kiss dando sopa, virei fã da banda. Desculpa aí. Se alguém revelar isso depois que eu morrer, eu volto para puxar o pé do sujeito
PS: O meu irmão não usava o topete do cara do Roxette, mas gostava das músicas do grupo. Acho que é pior
Um abraço,
Marcos

Posted by: Marcos Matamoros at junho 26, 2007 02:42 PM

Também me recuso a falar sobre meu gosto musical circa 1995. Aliás, me recuso a dizer do que gosto hoje.

Espero, ao menos, que escrevam sobre mim no Orkut: "Luciano coisa e tal odiava pagode e sertanejo e axé desde 1980").

Posted by: luciano at junho 27, 2007 12:04 AM

Eu posso falar do teu gosto musical em 1995...ou pior..1993...mas não me atrevo.
E longe de ser Legião Urbana...era um som mais "uplifting".

hehehehe

Posted by: Andrey at junho 27, 2007 05:22 PM

Eu posso falar do teu gosto musical em 1995...ou pior..1993...mas não me atrevo.
E longe de ser Legião Urbana...era um som mais "uplifting".

hehehehe

Posted by: Andrey at junho 27, 2007 05:23 PM

Ficam falando em século XVII enquanto até outro dia ainda ouviam BSB.

Posted by: Ronald at junho 28, 2007 12:43 PM

por que este verbo no passado, "ouviam BSB"? Eu continuo.

ouvia lully, também. e também continuo.

Posted by: rodrigo de lemos at junho 28, 2007 01:27 PM

Não adianta, um dia todo mundo vai ganhar um site póstumo, que toca "must have been love" do Roxette em versão midi. Ou "Coração de Estudante".

Posted by: Chicom at julho 25, 2007 05:07 PM

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