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junho 18, 2007

des gens comme des vaudevilles, qu'on ne chante qu'un certain temps

Tudo o que é clássico tem um defeito fundamental, tomado pelos hoì polloì como maior qualidade: o defeito de durar para sempre. O que é clássico não tem o charme do que se foi, das coisas esquecidas. As versões de Anita O'Day ou de Frank Sinatra para músicas de Cole Porter têm todos os méritos artísticos que o meu ouvido ignorantão pode discernir, mas exatamente por serem sempre tão atuais elas também se adaptam a contextos meio vulgares, viram trilha de gente tomando uisquinho ou pegando avião em propaganda de cartão de crédito. Nenhum publicitário seria louco de fazer o mesmo com Paul Whiteman cantando "I'm in Love Again", com Jack Hylton em "They All Fall in Love". Amar quem ou o que já se viu no topo e depois decaído (Paul Whiteman, Jack Hylton, Al Bowly, Banjo Buddy, Leslie Hutchinson, o Rod Stewart não, que daí já é sacanagem) é um prazer mais triste mas muito mais privado - talvez por impulso indie, talvez porque naturezas nostálgicas só se satisfaçam assim. Além disso, existe uma beleza filosófica em amar uma moda que passou. Uma pintura que tenha o mesmo valor por anos é uma lembrança feliz de que a glória de um indivíduo pode sobreviver a ele. Descobrir num fundo de sebo um pacote com gravuras de um artista celebrado e logo depois esquecido nos traz uma lembrança mais melancólica mas não menos bonita, a dos indivíduos que sobrevivem à própria glória.

Posted by Rodrigo de Lemos at junho 18, 2007 06:07 PM

Comments

Rodrigo,

Impulso indie? Talvez. Mas concordo, rapaz. Concordo!

Posted by: Gabriel Trigueiro at junho 19, 2007 02:10 PM

Rodrigo, é ignorância minha ou faltou um "i" naquele "ho"?

Detalhe. Enfim.

Abraços.

Posted by: cleber at junho 19, 2007 04:44 PM

Gabriel: impulso indie, eu acho. o impulso indie é o motor da evolução artística. encontraram referências a ele nos mármores de elgin e na tumba de ramsés, sabia?

Cleber: faltou sim. acho que se em mais de dois anos de blog nunca consegui escrever um post sem falta de letra ou erro de digitação em português, imagine em grego. :-) grazie.

Posted by: rodrigo de lemos at junho 19, 2007 05:57 PM

Lembrei da questão mais pernóstica do mundo, que é esta: dizer "pelos hoì polloì" é tolo como dizer "pelos The Beatles" (v. Casseta & Planeta) ou o artigo duplicado já entrou na expressão?

Posted by: Guilherme at junho 22, 2007 04:04 PM

em inglês pelo menos faz parte.

Posted by: rodrigo de lemos at junho 24, 2007 04:29 PM

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