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junho 14, 2007
a hundred years from today
Não consigo ver prazer nenhum nestes autores contemporâneos que ficam falando de gente que podia ser o meu gerente de banco, o meu vizinho. Eu evitando conversa de elevador com o paizão do 204 e depois me trancando no quarto para ler 200 páginas do Philp Roth sobre o que o paizão do 204 pensa, sobre o que ele sente. Se romances são só uma maneira mais fantasiosa e mais egocêntrica de escolher companhia, prefiro a Eugenia Young em "The Europeans".
Claro, vão lembrar que "The Europeans", assim como quase todos os romances do Henry James, é também sobre o que pensava e sentia gente que você poderia encontrar no elevador. Primeiro: tenho o preconceito, fundamentado pelas Memórias de Madame de Récamier, de que o papo de elevador no século XIX era um pouco melhor, pelo menos nuns círculos um pouco mais numerosos. Segundo: mesmo que não fosse, o que era corriqueiro a 100 anos atrás já é exótico, causa o prazer da estranheza. O que quer dizer que talvez um dia eu leia algo bem cotidiano escrito na nossa época, daqui a uns 100 anos.
Posted by Rodrigo de Lemos at junho 14, 2007 12:36 PM
Comments
Ah, me diverti com o Complexo de Portnoy. But I know what you mean. Agora estou para guerras: lendo Adeus às Armas de Hemingway. Talvez uma preparação para Guerra e Paz.
Abraço,
Posted by: ludovico at junho 14, 2007 01:18 PM
Pois é, pois é. Por isso é que ando pelos becos de Nova Y., com o Archie G., resolvendo crimes e bebendo leite. Ah, querem me contar da doença da avó, do séquiço hannal com a namorada, das angústias de se viver sozinho na grande urbe (urgh)? Many thanks, vão ver se eu estou na esquina da 5a com a 39.
Posted by: mauro at junho 14, 2007 05:40 PM
Os contos estão infestados de conversa de elevador.
Posted by: Caio at junho 14, 2007 06:32 PM
Eu tenho estado em algum lugar do Oriente Médio, na cama com Sharazade e Dinazad, mas sem o sultão.
E tenho tentado descobrir conversas de elevador interessantes e atuais. É uma tarefa difícil, mas eu sei que consigo.
Posted by: Gustavo at junho 14, 2007 10:49 PM
Finalmente, alguém que, como eu, acha que a literatura deve ser mais interessante quer a realidade, que as pessoas dos livros têm que ter algo que chame mais a atenção que meus vizinhos padronizados. Caso contrário, ler seria um prejuízo.
Odeio obras de "realidade nua e crua", e também as sobre "alguém assim como eu ou você, ou sua prima de óculos, seu colega chatinho, sua chefe mandona, seu vizinho colecionador de selos".
Oh, finalmente alguém que lê para achar algo de novo e interessante nos livros, e não para dar replay nos dias de sua vida em que não pegou num livro porque estava entediado demais para ler.
Posted by: Badá at junho 15, 2007 10:42 AM
eu to lendo A Bela Adormecida.
Posted by: k. at junho 16, 2007 02:15 PM
ah, esqueci de dizer: nessa versão a princesa gosta de apanhar com a pá de ouro.
Posted by: k. at junho 16, 2007 02:19 PM
Também gostei do Portnoy. Mas li as primeiras páginas de Adeus, Columbus e achei mixo. Um tom meio Rubem Fonseca.
Eu agora estou fugindo de trem com o Kees Popinga, e matando prostitutas sem querer.
Posted by: Marcio at junho 16, 2007 02:26 PM
Por isso os romances que falam de nada são quase sempre melhores que aqueles que falam dalguma coisa.
Posted by: Edson Junior at junho 18, 2007 10:39 AM
O que me agrada no Henry James é um certo artificialismo encantador dos personagens. Eles estão vivinhos da silva, mas nos poupam de certos aspectos menos graciosos dos vivos
Posted by: F.Arranhaponte at junho 28, 2007 11:30 PM