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abril 17, 2007
pequeno tratado de urbanismo canalha
Todo mundo fala que o urbanismo de Le Corbusier é ruim. Dizem que a ville radieuse é muito bonita, mas também muito fria e inumana, e que as pessoas não conseguem se sentir confortáveis nela, quando na verdade essa é exatamente a maior qualidade do projeto. Pessoas se sentindo confortáveis na cidade significa um monte de gente mal-vestida jogando papel no chão.
Para mim, a cidade ideal é o rêve parisien de Baudelaire: uma concha artificial, silenciosa, quase mineral, e com telentregas pra tudo. Açougue, perfumaria, tráfico de drogas, Zara, hospitais. Hospitais, principalmente hospitais! Só assim para acabar com a falta de civilidade de donas-de-casa que correm pra rua de pantufa e tudo só porque o marido teve um derrame.
Tendo por base esses preceitos, elaborei planos para resolver os problemas urbanísticos das duas maiores cidades brasileiras.

Minha sugestão de urbanismo para o Rio. O plano traria modificações muito benéficas para a cidade. Por exemplo, a aglomeração de todas as favelas na zona periférica amarela. Infelizmente a área é muito pequena para a quantidade dos pobres, mas acreditando que todo urbanismo provoca mudanças no contexto social e que as lições dos mestres do passado não devem ser esquecidas, o plano prevê a aplicação no Brasil dos planos canibalescos do Swift para a redução do número de pobres na Irlanda. Ninguém vai notar: como dizem os black resentniks, a carne mais barata do mercado já é mesmo a carne negra.

Um monte de ruas em São Paulo para quê? Mais que quatro avendias largas já é o caos, um cortiço gigantesco que na Itália as pessoas insistem em chamar de cidade.
E, além de belíssimo, este plano é prático: se você tiver dor de barriga e quiser ir até a Zona de Farmácias que Vendem Supositórios Azuis (ZFVSA, indicada no mapa pela seta), é só deixar seu carro na vertical mais próxima (V1), pular alguns muros de quintais e, com o mínimo de dificuldade, você chega ao supositório desejado.
Mas há ainda outras mudanças que operarão pelo progresso da cidade. O Tietê, por exemplo. Seu leito curvo combina mal com os ângulos retos que eu projetei. Daí, pensei que ele poderia ser represado e transformado em lago. Em lago de ângulos retos, seguindo os preceitos do neoplasticismo, localizdo na zona azul da parte superior do mapa. São Paulo finalmente teria algo a se orgulhar: o maior esgot..lago quadrado a céu aberto do mundo!
(postado em 22 de abril de 2005)
Posted by Rodrigo de Lemos at abril 17, 2007 04:16 PM
Comments
O tietê ainda existia em 2005?
=)
Posted by: Ronald at abril 19, 2007 11:51 AM
nada de pantufas e meias na rua.
esse é o meu favorito de todos os anos.
Posted by: k. at abril 19, 2007 07:01 PM