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janeiro 25, 2007
tipos sociais que nós amamos: a maluquete cinqüentona, ou síndrome de betty faria
A Maluquete Cinqüentona foi para a cama com toda a faculdade de Letras quando era jovem nos anos 70. Evidentemente, se for contar só os homens do curso, e desses só os que saíam com mulheres, não foi tanta gente. Mas é claro que no último semestre, um pouco depois de nascer o primeiro filho (produção independente, o que quer dizer que ela não sabia quem era o pai), a Maluquete Cinqüentona se aterrorizou com aquele primeiro clamor da vida familiar burguesa e acabou dormindo com a colega mãe-de-santo numa tarde em que as duas faziam trabalho em dupla sobre Fernando Pessoa. Passou a considerar justa toda forma de amor, o que quer dizer que teve a sua fase sapatão.
Não sofreu crises morais para pegar umas horas como professora de literatura no município. Sempre achou a liberdade um barato e gente careta o maior baixo astral, mas não a ponto de viver muito diferente dos seus pais. E então, à medida que abandonava os comportamentos dionisíacos da faculdade, a Maluquete Cinqüentona se esforçava em parecer a mulher independente de filme nacional - um jeito de conciliar as liberdades da sua geração com as comodidades da vida da sua mãe. Roupa: tênis e calça jeans. Votava só em social-democratas. Gostava de gente sem frescura, detestava preconceitos. Fechava um baseado de vez em quando, cada vez mais raramente ao longo dos anos 80. Tinha um jeito de dizer que uma coisa era nada a ver que lembrava Betty Faria.
Fez o segundo filho (produção independente, o que quer dizer filho de homem casado) corar quando deu a ele uma festa de 16 anos. Arrastava os coleguinhas dele para a pista, dançava sozinha Love generation no salão de festas. Os amigos do filho gostavam de Linkin Park.
Posted by Rodrigo de Lemos at janeiro 25, 2007 07:01 PM
Comments
isso tem inspiraçao em alguma mãe dos nossos amigos ou toda a mãe ´descasaca´ é igual?
Posted by: k at janeiro 26, 2007 04:28 PM
tem a ver com a percepção trágica de que algumas das nossas mães podem ter sido um personagem de filme do canal brasil. (menos a minha. e a dona geneci.)
Posted by: rodrigo de lemos at janeiro 26, 2007 05:06 PM
Porque a juventude transgressora não permite que uma uma cinqüentona dê umas "puxadinhas" nas suas rugas(assim como colore seus pêlos púbianos brancos)?
Posted by: a mãe que não quer calar at janeiro 26, 2007 09:11 PM
Conheço alguém assim..
Posted by: Camafunga at janeiro 27, 2007 07:51 AM
Conheço alguém assim...
Posted by: Camafunga at janeiro 27, 2007 07:51 AM
Minha vizinha de cima é uma delas. Só a vemos de leggings e camisetão, magrinha e musculosa e cara de velha, cheiro de baseado forte descendo por sua janela todos os dias de manhã e escândalos em tom elevadíssimo com o maridão, que, inclusive, de acordo com a dona em uma das brigas, parece ter algumas dificuldades em proporcionar-lhe certos prazeres.
Posted by: Mme. R. at janeiro 28, 2007 11:36 PM