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dezembro 11, 2006
corona is alive and well and living in sorocaba
Depois da festa de sábado, uma certeza: dance anos 90 vai ser daqui a um tempo o que disco foi na década passada. Adolescentes fazendo passinhos streetdance no quadriculado da pista, achando o máximo músicas de que eu tinha nojinho no primeiro grau. Agora entendo por que pessoas com 40 anos faziam cara de desprezo quando dançávamos Chic em 95.
Não é exatamente um revival que eu vá comemorar. Ainda mais se vier de mãos dadas com o grunge. Não sei de muita gente que concorde comigo - está certo que também não conheço muita gente que fique com o olhar perdido no horizonte, pensando nesse tipo de coisa - , mas acho mesmo que o começo dos anos 90 foi mais kitsch e mais estéril do que os early eighties que todo mundo execra (de 85 pra cima nem eu consigo defender os anos 80). A música pop perto de 81, 82 - pelo menos os melhores, o Devo, por exemplo - tinha alguma coisa de cínico e irresponsável que era divertido, e aqueles casacos de tecido sintético (imagino que por influência de coisas como Blade Runner e tecnopop), bem que eu gostaria de ter um desses hoje. Elegância sartorial perto das ombreiras que dominaram as almas uns anos depois.
Em compensação, a primeira metade dos anos 90 vai ser lembrada por o quê? Grunges, aquele bando de rockstars mal vestidos que deviam ter ficado em casa fazendo curso de cerâmica, e Ace of Base, uma espécie de ABBA sem glamour brega que não vai nem ganhar a honra de ter uma música tão tocada em baile de debutante quanto Dancing Queen.
Mas imagens funcionam melhor do que palavras pra falar de música pop. Não faz nem dois meses, postei aqui esse vídeo do Rick James:
Elogiei muito a linha de baixo da música e o canino faltando na boca dele. Gostei também das dancinhas das vagabundas no fundo, tudo tão camp e espontâneo, quase como se o Rick James tivesse chamado umas amigas barangas que dançavam no clube perto da casa dele pra fazer o clipe.
Daí, nos comentários, o Pedro Sette Câmara me lembrou da música que dez anos depois, circa 90/91, o MC Hammer fez com o sample de Superfreak :
O semioticista que mora no meu peito está aqui, sussurrando que as imagens falam por si. As dancinhas são tão kitsch quanto as do clipe do Rick James, só que agora coreografadas; as roupas parecem muito maiores que os dançarinos, quase como se eles tivessem amarrado sacos de aninhagem na cintura e nos tornozelos. Claro, a fotografia do MC Hammer é melhor, e o clipe - como todos da época, aliás - claramente tinha muito mais produção do que os de dez anos antes, mas o resultado não tem o humor nem o charme cheesy duma coisa como Superfreak. E, como nos late 80's, estão todos de ombreira, minha gente, ombreira.
São provas científicas de que a moda que virá depois dos 80's não vai ser muito melhor do que eles. Algum Grande Cérebro já disse que o futuro é negro e que nele todo mundo se veste que nem no seriado aquele do Will Smith no SBT.
Posted by Rodrigo de Lemos at dezembro 11, 2006 03:12 PM
Comments
Eu decorei as estrofes em latim de Happy Nation, do Ace of Base, quando eu tinha uns... 12 anos? Gostava muito dessa música. Se não fosse o Ace of Base e a Universal FM (97.5, nos idos de 1996) eu ouviria pagode até hoje...
Posted by: cleber at dezembro 11, 2006 10:33 PM
universal fm. deve ter alguma coisa a ver com 12 anos; eu também ouvia isso lá por 93. tu teve o mérito dispensável de me lembrar que não foi durante TODO o meu primeiro grau que eu tive nojinho de dance. :-)
"uma lição de humildade", diria um apresentador de programa de auditório.
Posted by: rodrigo de lemos at dezembro 11, 2006 10:56 PM
Será que as casas do futuro serão todas decoradas como a "Porta da Esperança"? Fico apreensivo diante da perspectiva.
Posted by: Gustavo at dezembro 12, 2006 07:22 AM
"This is the rhythm of the night..." :)
(Ótimos posts os últimos, rapaz. Abraços!)
Posted by: Ruy at dezembro 12, 2006 06:58 PM
porta da esperança não é 80's, gustavo? a dúvida não me deixa em paz.
e, ruy, bom saber. pensei que estava em crise de adolescência blogueira. :-)
Posted by: rodrigo de lemos at dezembro 13, 2006 11:13 AM
Não creio que seja 80's, Rodrigo, porque eu assistia. E na década de oitenta eu não via muita TV, mal tinha nascido. Mas todos os cenários dos 90's do SBT são bem 80's. Algo como o "Pião da Casa Própria" ou o "Sabadão Sertanejo com o Gugu". Ainda hoje são. É só ver SBT nas manhãs de sábado e domingo: "Sessão premiada com Celso Portioli".
Os 80's vivem e passam ao vivo no SBT.
Posted by: Gustavo at dezembro 13, 2006 10:53 PM
manhã de domingo?
e isso existe antes dos 40?
Posted by: rodrigo de lemos at dezembro 14, 2006 10:09 PM