« olhe para a lente da verdade | Main | os mais queridos »
novembro 19, 2006
lee wiley
Nunca consegui conter um certo nojinho ouvindo indies dizerem que Velvet Underground nem se compara com a banda underground finlandesa que eles descobriram no Soul Seek, mas tenho de admitir que Lee Wiley empurrou Sarah Vaughan do meu mp3 player no espaço das cantoras americanas.
Você deve estar se perguntando quem é Lee Wiley, e agora eu vou olhar de volta com aquela cara de "HOW can I talk to you?". Lee Wiley foi daquelas cantoras de rádio que fizeram muito sucesso nos anos 30 e 40, mas que deixaram poucos discos de estúdio. Quarenta anos de carreira, e não mais que dez álbuns. Mas que álbuns! Foi ela a primeira a ter a idéia de gravar um disco só com músicas dum mesmo compositor; inventou desse jeito o songbook, que evoluiu até nos anos 50 dar naquelas obras-primas como as que Ella Fitzgerald fez com Gershwin e Cole Porter. Recomendo também A Night in Manhattan, que ela gravou com a voz muito rouca e muito sexy num comeback em 50, depois de ter desaparecido um tempo por achar que estava ficando muito velha e baranga e que singing includes a number of things aside from the voice; these girls who are trying to get up on the bandstand at forty years old, it doesn't make any sense to me. Eu também adoro a Elza Soares.
Se em disco a voz dela já soa muito bem, com a mis-en-scène ao vivo dizem que era ainda melhor. Lee Wiley tinha uma daquelas belezas estranhas, meio orientais (o material publicitário da época mentia que ela descendia duma índia com um missionário inglês), que, junto com a voz pequena e sensual, tinha o efeito que vocês imaginam nos homens. Uma criatura que esteve num concerto dela em Nova York descreve assim a platéia e a cantora: The men were clearly enchanted with this glamourous creature, lighting her cigarettes, pouring her champagne, laughing ever so delicately at her witticisms, and not a one paying the slightest attention to darling Bobby Short, singing Cole Porter tunes on a little upright over in the corner. E Richard Hadlock, numa carta para ela, perguntava: Lee, have you ever wondered why so many… from road-tough musicians to jaded pub-crawlers, act like kids on Christmas when they hear you sing?

Cliquem aqui pra lerem o artigo sobre ela na Wikipedia. E ouçam uma versão pra
Hot-House Rose, minha música favortia do Cole Porter - bem indie também isso, citar Hot-House Rose em vez de Night and Day, mas ando assim desde o meu primeiro All-Star.
Posted by Rodrigo de Lemos at novembro 19, 2006 12:59 PM
Comments
Obrigado pela música. Vai ficar bem perto do meu poster do Franz Ferdinand. Do primeiro álbum, claro, antes de eles se tornarem pop.
Posted by: Gustavo at novembro 19, 2006 07:12 PM
*o que foi que eu disse?
Céus! Corrigindo: vai ser bom dançar perto do poster...
Posted by: Gustavo at novembro 19, 2006 07:17 PM
Rodrigo, deixei um meme lá no meu blog para ti.
Posted by: cleber at novembro 21, 2006 02:01 PM
Mas veja só Rodrigo, que descobri Lee Wiley há poucos dias e já baixei no e-mule uns 2 albuns da mulher. Ainda prefiro Vaughan e Ivie Anderson em parceria com Ellington, mas Srta. Wiley foi de fato a quite surprise! E a versão cantada por ela de "Paper Moon" supera a de Ella Fitzgerald de longe (tá certo que nunca fui grande fã de Ella)
Agora, já ouviu Al Bowly? Se não, pelamordedeus vá correndo baixar alguma dele cantando na Ray Noble Band.
Posted by: Evelyn at novembro 21, 2006 09:43 PM
Ah, falando em Porter, finalmente assisti a versão com Cary Grant. Ok, o filme é ruim, mas o que são aqueles espetáculos? "My heart belongs to daddy" está um primor.
Beijos
Posted by: evelyn at novembro 21, 2006 09:47 PM
al bowly? wiley cantando paper moon? tu m'apprends des choses!
Posted by: rodrigo de lemos at novembro 22, 2006 03:20 PM