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outubro 21, 2006
pequenas empresas, grandes negócios
Meu cartão de crédito pra ser cortado, e eu precisando de dinheiro. Quinta-feira fui à praia com uma máquina digital, ver se eu filmava alguém famoso transando no mar pra depois chantagear. A única celebridade que eu encontrei foi o Tatata Pimentel pegando jacaré em Mariluz numa pranchinha de isopor.
Daí fiquei pensando que seria legal abrir um restaurante italiano pra fazer grana. Ia se chamar Sociedade de Massas. Os garçons iam usar máscaras de carnaval com a cara dos membros da Escola de Frankfurt e o cardápio seria todo temático: rondelli à Horkheimer (enrolado e sem graça), Habermas no espeto (e assim realizar o sonho de alguns amigos desconstru). O pene à Adorno seria pequeno e murchinho, como eu imagino que seja o dessa gente que fica citando Dialética do Esclarecimento pra tudo.
- Mas que vinho eu peço com fusili à Walter Benjamin?
Vinho Canção, meu filho, e bem doce, que vinho que não deixa o beiço roxo já é fetichização da mercadoria.
O problema é que pra abrir um restaurante eu precisaria aprender a cozinhar e pra aprender a cozinhar eu precisaria dum curso e pra entrar num curso eu precisaria do que eu não tenho nem pra pagar a conta da Gaudi daqui a dez dias: dinheiro (também, com o que mais eu pagaria? Conchinhas em biscuit? Mau estilo, mau estilo). E talvez a relativa falta de dinheiro, somada à vontade de felicidade que, como todo mundo sabe, só o dinheiro pode comprar, seja a pior coisa dos 25 anos - tirando ter de andar de carona e não tocar as profundezas do ser. A criatura não acha mais graça em ficar bebendo vinho Garibaldi no meio-fio com um monte de punks pré-adolescentes, mas também não ganha o suficiente pra comprar um bom Cabernet. Aí, duas opções: ou Marcus James de padaria, ou dívidas. E, como a Mastercard está aí pra isso mesmo...
Inclusive, ando muito triste com o comportamento bárbaro dessas operadoras de cartão de crédito, isso de ficar cobrando clientes que não pagam. Não sei, elas deviam aceitar algum tipo de escambo pra casos assim. Qualquer coisa, estou trocando a minha irmã por mais um mês de crédito pra torrar tudo em bala Chespirito.
Posted by Rodrigo de Lemos at outubro 21, 2006 04:38 PM
Comments
Ah, as rudes operadoras! Realmente, realmente. Elas bem fariam uma enorme contribuição ao bom gosto caso perdoassem as minhas dívidas.
Posted by: Bródi at outubro 22, 2006 12:44 AM
Pode pagar o Master com o Visa. Quando chegar a cobrança do Visa, põe no crédito do Diners...
Posted by: Gustavo at outubro 22, 2006 12:20 PM
Rodrigo, pra fazer concorrência ao teu restaurante estou abrindo uma carrocinha de cachorro quente inspirada no círculo lingüístico de Praga. Vai ser logo na esquina da Sociedade de Massas.
Posted by: Adriano at outubro 23, 2006 02:55 PM
Quando estou mais metido a besta e com uns trocados no bolso, digito "cordon bleu" no google, e sigo a receita. Se tudo der errado no fim das contas, como os ingredients que sobreviveram ao meu ímpeto bárbaro, mas sempre sinto falta do avental "kiss the cook", e daquele chapéu engraçado, que é a verdadeira alma da cozinha francesa.
Mas se tivesse os dois poderia servir até comida de microondas.
E se tivesse um restaurante italiano anunciaria que ali a comida era feita sempre, diretamente, com as mãos, sem utensílio algum que conspurcasse a verdadeira comida italiana. Mãos rústicas e naturais, sem sabão nem conservantes, importadas do Bexiga. Não serviria talheres também.
Abraço.
Posted by: Carlos at outubro 24, 2006 01:28 AM
Você pode também abrir o Decameron, 'ristorante' temático. Sucesso garantido.
Posted by: Carlos at outubro 24, 2006 01:30 AM
Você poderia abrir uma filial do Sociedade das massas em São Paulo, bem pertinho da USP. Mas você teria que cobrar baratinho, porque o público alvo seria formado por estudantes ensebados e barbudinhos, que andam com textos xerocados para cima e para baixo
PS: Se você aceitar, pode ser meu sócio no Simulacre, restaurante em que o prato principal será o magret de canard à Baudrillard. Topas?
Um abraço,
Marcos
Posted by: Marcos Matamoros at outubro 30, 2006 04:42 PM
claro.
para acompanhar o canard à baudrillard, daria para servir simulacros de champagne caro com preços de originais. tipo, cidra de macumba em garrafa de moët & chandon.
Posted by: rodrigo de lemos at outubro 30, 2006 04:57 PM