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setembro 28, 2006

the wit and wisdom of beau brummell

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Claro que vocês ouviram no segundo grau a história de como Beau Brummell perdeu a amizade de George IV: enquanto andava com Lord Alvanley por St. James's Street, seu amigo o príncipe George, de quem Beau às vezes fazia piadas por causa da gordura, encontrou os dois por acaso e começou a conversar com Alvanley como se não conhecesse o outro. A causa do corte era umas caricaturas de Beau sobre a cintura do príncipe nos jornais daquela semana. Quando enfim George se virou para ir embora, Beau, afetando curiosidade, perguntou em voz alta: "Tell me, Alvanley, who is your fat friend?". O príncipe nunca mais recebeu ele e se negou a ajudar anos depois, quando Beau Brummell teve de se refugiar na França fugindo de credores.

Enquanto estava no exílio em Calais, uma cidadezinha no norte da França, um amigo perguntou como ele podia agüentar um lugar tão provinciano. Beau Brummell respondeu: "Is it not a general opinion that a gentleman might manage to spend his time pleasantly enough between London and Paris?"

Posted by Rodrigo de Lemos at 01:47 PM | Comments (4)

setembro 25, 2006

cansei de anti-brasileirismo

Daí, como eu não tinha mais nada pra fazer, resolvi botar uma peruca verde e amarelo e falar bem de poesia brasileira. Que até é bem simpática sim sinhô, tirando as tentativas do Manuel Bandeira e do Cassiano Ricardo de deixar ela mais brasileira - ou seja, mais tatibitate. Mas graças a Deus poetas só escrevem coisas que ninguém vai ler mesmo por pretensão e egocentrismo, e a Irene Boa Irene Preta é um evento que se repete só muito de vez em quando na poesia nacional.

(Talvez esse só de vez em quando já seja muito, mas se a gente for comparar com a freqüência da Irene Boa Irene Preta nos romances.)

Deve ter sido a mentira saudável de que poesia é especialmente difícil que fez menos gente escrever poemas como Jorge Amado romances (se bem que a mentira ruim de que verso livre é fácil pode me desmentir em um ou outro caso, mais ainda depois dos anos 70). Pelo menos teve gente estudando um pouco de métrica, tentando fazer umas metáforas decentes, o que é mais raro em romancistas, alguém que aprenda técnicas de escrever. Isso também deu no medo quase sagrado que as pessoas têm da poesia por aqui - o que pode fazer os próprios poetas às vezes descambarem prum barroquismo meio pegajosinho, é verdade, mas que no Brasil, em que tudo o que não é um pouco sagrado vira forró da Tânia Alves, pelo menos preservou a poesia duma simplicidade embaraçosa.

Também, talvez por causa desse medo de índio por ventilador, talvez por causa da própria poesia - que é simplesmente ruim se aquilo que o cara diz chama mais atenção do que os ornamentos -, o fato é que no Brasil se fez bem menos poemas engagés do que prosa engagée. Claro, sempre teve um ou outro poema politiqueiro nas coletâneas, mas é raro encontrar alguma que só tenha odes ao operariado ou à bandeira nacional. E as tentativas que eu conheço foram até bem razoáveis. Poucos poetas me entediam tanto quanto Carlos Drummond de Andrade - aquela timidez de coitadinho, aquela super-sensibilidade de colegial que apanha no recreio -, mas Rosa do Povo tem uns versos bonitos quando ele não exagera na piedade. E, quando os poemas engagés não eram tão bons, alguns poetas tiveram a decência de morrer antes de publicar eles, vide aquela ode ao Fidel Castro pelo Mario Faustino.

Gostar ou fingir que gosta de poesia brasileira pode afinal ser uma boa numa festa, num coquetel, quando vocês não quiserem mentir que lêem os romances mas quiserem levar pra cama alguém que adora literatura nacional. Causa também uma impressão melhor em quem está em volta - elogiar as duas ou três unanimidades do romance dá um ar tão literato wannabe. Uma vez o meu irmão abriu a porta do quarto enquanto eu lia Quincas Borba, e nem tive tempo de esconder embaixo do travesseiro e pegar a Playboy que eu uso pra disfarçar. Se fosse o livro do Mario Faustino, meu apelido em casa não seria agora Antonio Cândido.

Posted by Rodrigo de Lemos at 02:26 PM | Comments (5)

setembro 21, 2006

o pensamento vivo de rodrigo de lemos V

Acabei de ler Manon Lescault, e é uma merda. Já tinha visto uma vez a ópera em Buenos Aires. Pelo menos no livro a soprano não desafina.

Serviu pra ver como o século XVIII foi bom quando continuou o XVII - o romance libertino -, como foi sacal quando se pareceu com o XIX - o romantismo, as heroínas choronas. Também pra ver como foi mais ingênuo e superficial que os outros dois: nenhum La Bruyère, nenhum Victor Hugo. Talvez porque no século XVIII, como também em Manon Lescault, se acreditava demais nos sentimentos, no amor. E logo no amor, essa falta de ambição: trocar a possibilidade de vários pela certeza de um. O mesmo preconceito gótico a favor da economia natural e contra o lucro e a usura.

Não é por nada que no século XVIII os sentimentos nobres voltaram à moda junto com os fisiocratas.

*

Botar aspas e itálico em títulos, faz uns dois posts que eu estou tentando não. Lembra formalismo acadêmico, e nada que lembre formalismo acadêmico pode lá ser muito cool. Nem muito útil: dá pra identificar perfeitamente se é título ou não pelas maiúsculas. Na verdade, nem precisava de maiúsculas; só pela frase já dava. É assim que funciona em conversas. Pense bem: se alguém disser pra você que ontem viu o Cidadão Kane, ninguém vai pensar que era o Orson Welles de chambre e cabelo lambido pegando o Ipiranga-Puc.

*

E agora um aforismo de Paul Valéry, que eu atribuo muito honestamente a mim mesmo:

"O mundo só vale pelos radicais, mas só vive pelos moderados."

*

(Mais sabedoria, ou Sabedoria :aqui, aqui, aqui e aqui).

Posted by Rodrigo de Lemos at 01:53 PM | Comments (2)

setembro 18, 2006

the wit and wisdom of (um amigo meu)

Quando um dos convidados num jantar dum amigo meu pôs pra tocar um cd da Madonna, o dono da casa, um sujeito operático - e um tanto operístico -, disse que não conhecia alguma coisa tipo Like a Prayer. Se ele tivesse chamado a mãe do convidado de bigoduda não tinha provocado horror maior: "Mas onde é que tu esteve nos últimos 20 anos?", outros dois perguntaram. Ao que o anfitrião pegou o controle remoto e deu play num dvd de Don Giovanni: "E vocês, onde é que estiveram nos últimos 200?".*


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*Mas, como bom anfitrião, ele logo deu stop e deixou os outros tocarem Like a Prayer.

Posted by Rodrigo de Lemos at 01:14 PM | Comments (5)

setembro 15, 2006

música de tia

Se um blogueiro chega e diz que gosta de Charles Aznavour você:

a) sorri com complacência

b) deslinca imediatamente

c) se abraça nele chorando baixinho de compaixão.

Só pra saber.

(...)

Tá bom, tá bom: eu acho Charles Aznavour chouette. Mesmo com aquelas orquestrações, mesmo com os corinhos fazendo shoobi-ra-ba em refrão. Podem achar brega. Eu acho brega, e pitoresco.

Je marcherai vers d'autres cieux, d'autres pays
En oubliant ta cruelle froideur
Les mains pleines d'amour j'offrirai au bonheur
Et les jour et les nuits
Et la vie
De mon cœur

Claro que sem orquestração pesada, sem corinho fazendo shoobi-ra-ba e com a interpretação mais contida é melhor. Emmenez-moi, por exemplo. Grande letra: um sujeito que trabalha no porto e fica vendo os navios chegarem, sonhando em fugir pro sul. Tem algo de L'Invitation au voyage de Baudelaire, e a letra é bonita sem metáfora barata ou filosofia de descornado. Tem também aquela coisa bem francesa de querer fugir da Europa e ir prum país exótico e ser assaltado no Bondinho.

Ils viennent du bout du monde
Apportant avec eux
Des idées vagabondes
Aux reflets de ciels bleus
De mirages

Traînant un parfum poivré
De pays inconnus
Et d'éternels étés
Où l'on vit presque nus
Sur les plages

Quase tudo também é bom em Trousse Chemise - um bosque na beira do mar, a história dum piquenique a dois que termina com o sujeito forçando a garota a dormir com ele. Claro que o letrista tinha de achar uma metáfora cafona pra sexo ("conjuguer le verbe aimer"), mas versos que compensam são o que não faltam:

On était partis pour Trousse chemise
Guettés par les vieill's derrièr' leurs volets
On était partis la fleur à l'oreille
Avec deux bouteill's de vrai muscadet

E o final da história:

On coupe le bois à Trousse chemise
Il pleut sur la plage des mortes saisons
On coupe le bois, le bois de la cage
Où mon cœur trop sage était en prison

Mas claro que isso é o crème de la crème de Charles Aznavour, e tem coisas bem piores. Os anos 80 foram, surpresa, especialmente insuportáveis, uma mistura de Edith Piaff com Roupa Nova: vocais dramáticos com tecladinhos aguados e bateria eletrônica. O brega mullets-calça de couro em vez do brega-pingüim de geladeira que ele fazia nos anos 60 e que se é tão ruim quanto, pelo menos é mais simpático. Ainda vão descobrir que o declínio da música de tia - ou a apoteose, em se tratando de cafonice depende - começou nos early 80's, quando a Yamaha teve a grande idéia de popularizar os teclados.

Posted by Rodrigo de Lemos at 12:54 PM | Comments (3)

setembro 11, 2006

um jeito rat pack de fazer a barba

Troquei ontem o meu Prestobarba high-tech por uma navalha.

Você deve estar pensando "e eu com isso?", mas, meu filho, quem mandou ler blogs? Tá bom: fazer barba de navalha é a prova de fogo da masculinidade. Mais ou menos o que é pra mulher dançar de salto alto. Pode até nem ser XX, pode até ser travesti, mas dançou de salto, pronto, virou mulher.

(Vejam que esse critério de feminilidade coloca no topo Prince e Luís XIV, junto com alguma dançarina baiana.)

Mas é claro que trocar um Prestobarba trêslâminas-gel-caboflexível por uma lâmina cara que na segunda vez já perde o fio só pode ser coisa de pulhas saudosistas fifties como eu e você, querido leitor, leitora amiga. Também um vago impulso ao decadentismo; fazer dos detalhes do cotidiano uma obra de arte and stuff. Já que fica difícil cravejar de brilhantes o casco duma tartaruga sendo vizinho dum ativista do Greenpeace, ainda mais com ela viva, e que o meu sonho de um chá de panela servido por anões sado-masoquistas vai demorar o tempo de eu arranjar um casamento falso só pra isso, bom, que pelo menos a barba dê pra fazer dum jeito tão Rat pack.

(Porque ninguém sabe, mas Frank Sinatra gravou Music for Swinging Lovers com a voz no máximo, e cheio de band-aids na cara.)

Posted by Rodrigo de Lemos at 11:50 AM | Comments (6)

setembro 07, 2006

the wit and wisdom of david bowie

Enquanto viajava pelo Texas promovendo The Man Who Sold The World, David Bowie teve a grande idéia de usar o vestido que aparece na capa do disco e sair por aí, fazer umas compras. Depois de monopolizar os comentários de fofoqueiras de janela e atrair filas de crianças caipiras pelas ruas da cidadezinha, Bowie entrou numa loja de quinquilharias para casa; lá, o dono apontou uma arma para a cabeça dele e chamou de viado. Um tanto de sangue frio - e talvez o fato de ter pena de morte no Texas - foi o que salvou David Bowie do troglodita: "Mas viado por quê, meu caro? Isso é só um vestido de homem."

Posted by Rodrigo de Lemos at 07:00 PM | Comments (2)

setembro 04, 2006

a prisioneira da virtude

Vou escrever um romance libertino usando os meus amigos como personagens. O nome é La Prisonière de la vertu. Como vai ser todo em francês e ninguém vai ler mesmo, estou postando aqui o resumo da história e quem dos meus amigos é quem. Os que não conhecem eles podem pular o próximo parágrafo e ir direto para o Tomo Primeiro; quem conhece pode pular também, que eu botei só abreviaturas, e erradas.

H. é a Grande Baronesa, que tem como valet-de-chambre o flanelinha do Van Gogh com uma peruca de rolinho. A Prisioneira da Virtude ia ser outra, mas coloquei a D.; fica mais bizarro, talvez por ela ser tão diferente do personagem. O partido da virtude é encabeçado por V. como o abade de Saint-Pierre. O jovem e belo Duque de Rocheville vai ser o D., exatamente por ele não ser nem jovem, nem belo. A. e E. ficaram como a dupla de castrati que faz versões barrocas de dance anos 90 numa gaiola de ouro. O personagem de Faustin o Libertino ia ficar para mim, mas como eu de culotes é das imagens que não quero ter, deixo para o R. mesmo.


A PRISIONEIRA DA VIRTUDE, ROMANCE EPISTOLAR


TOMO PRIMEIRO

Fête galante no solar da Grande Baronesa. Faustin o Libertino está atirado num canapé, entediado, se queixando para a maquiavélica Marquesa de Xanxerê de como são fáceis as mulheres na côrte. O huissier anuncia a chegada de mais dois convidados. Faustin o Libertino vê então cruzar a porta a Prisioneira da Virtude, a viúva mais frígida da França desde a Princesa de Clèves, acompanhada do irmão mais novo, o jovem e belo Duque de Rocheville. A Marquesa de Xanxerê comenta sugestivamente que ele já tem um divertimento. Os dois montam um plano secreto de sedução. Faustin o Libertino decide então partir de repente, pedindo antes o celular da Prisioneira da Virtude para comprar as cuiazinhas de chimarrão em biscuit que ela disse andar fazendo. Depois de ele ir embora, o abade de Saint-Pierre, que fingia tirara uma soneca numa bergère enquanto os dois conversavam, adverte a Prisioneira do perigo que estava correndo. O jovem e belo Duque de Rocheville sorri com malícia.

(Entram os castrati. Arranjo barroco para "Ain't love/ Ain't love a surprise?" do M People.)

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Fête galante no solar da Baronesa


TOMO SEGUNDO

A Grande Baronesa ouve rumores de que, só nas duas últimas semanas, Faustin o Libertino tinha comprado cinco caixas de cuiazinhas em biscuit. Se sentindo misteriosamente aflita, ela envia por Justin o flanelinha do Van Gogh uma longa carta ordenando a Prisioneira a resistir ao conquistador. Depois, se atira na cama aos prantos.

Quando lê a carta da Baronesa, a Prisioneira da Virtude decide fortificar o espírito e o coração. Mas logo o seu valet-de-chambre anuncia Faustin o Libertino na sala de espera, e ela vai recebê-lo no boudoir. Como arma, começa a falar do conflito judeus-palestinos; o sedutor se atira de joelhos e, molhando o vestido dela com lágrimas falsas, confessa uma paixão incontrolável. Ela, impassível, continua analisando todas as ações do gabinete israelense desde 1967 até conseguir que ele vá embora. Depois, liga para a Baronesa e, contendo no peito uma angústia terrível, celebra o próprio sucesso. Ao ouvir as estratégias do sedutor, a Baronesa tenta conter o desgosto, mas cai desmaiada: ela também se apaixonou por Faustin o Libertino.

Passsam-se semanas com Faustin investindo sobre a Prisioneira; a Prisioneira buscando forças no abade e na Baronesa para não se entregar. Ela não sabe, mas as palavras de amor carnal do conquistador nos seus relatos fazem a Baronesa morrer de ciúmes. Por fim, num dia em que Faustin o Libertino envia à Prisioneira uma pistola d'água e um saquinho de risada como presente de galanteria, a Baronesa enlouquece de vez e sai pelas ruas de Paris imitando um relógio cuco.

Vem a publico a verdade: a Baronesa só dava conselhos virtuosos à amiga para manter ela longe do libertino. Escândalo nos salões. Rousseau e Vauvenargues choram num cantinho.

O abade de Saint-Pierre recolhe a Grande Baronesa no sanatório da abadia. A Prisioneira resolve se recolher também, dizendo que é para cuidar da amiga. Na verdade, tudo o que ela quer é abafar a paixão que crescia agora no seu peito por Faustin.

O jovem e belo Duque de Rocheville sorri com malícia.

(Entram castrati. Arranjo barroco para "Runaway, runaway/ Runaway and save your life.", do Real McCoy)

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A Prisioneira da Virtude recebe uma carta de amor.


TOMO TERCEIRO

A Prisioneira da Virtude segue uma rotina devota na abadia. Acorda com o canto do rouxinol, distribui maçãs aos pobres no pomar, troca a sonda da Baronesa. O abade sorri vendo ela desempenhar esses deveres santos; a virtude parece salva.

Em Paris, Faustin o Libertino está aflito. A Prisioneira sumiu da cidade. A maquiavélica Marquesa de Xanxerê ri do fracasso dele.

Ele descobre por fim onde a sua presa se refugiou. "Nada pode fazer a minha vitória mais certa, ma chère!", escreve para a Marquesa.

E então, numa noite de sexta em que o abade de Saint-Pierre tinha saído para encher a cara no Adriano - na Paris do século XVIII ainda não tinham fechado o Adriano -, o libertino se infiltra sorrateiramente na abadia. Encontra a Prisioneira cândida e desnuda no claustro, rezando antes de dormir. Ela grita ao ver o sedutor entrando, tenta fugir pela janela; ele a toma nos braços. Naquela noite, a Prisioneira da Virtude sente o poder da luxúria no colo de Faustin o Libertino.

Mas ainda só metade do trato secreto com a Marquesa estava cumprido. Ele promete voltar na próxima sexta. A Prisioneira passa a semana seguinte num estado d'alma eufórico. Acorda tarde todo dia; no pomar, em vez de distribuir maças aos pobres, fica lendo Paul et Virginie. Até esquecer os remédios da Baronesa ela esquece.

Na sexta-feira, com o abade de novo enchendo a cara no Adriano, o jovem e belo Duque de Rocheville vem passar o dia com a irmã. Ao ir embora no fim da tarde, dá com o libertino entrando furtivamente por uma janela do corredor. Faustin sorri, não acreditando ter demorado tão pouco para encontrar sua verdadeira presa; Rocheville pisca o olho para ele, sempre dizia ter inveja da irmã por ela ter fisgado aquele gatão de meia-idade. Os dois somem num canto escuro do corredor.

Depois de o Duque ter deixado seus braços, e com o apetite ainda não satisfeito, Faustin vai até o claustro da Prisioneira. Encontra ela como na semana anterior, rezando desnuda e cândida. Mas desta vez, quando ela vira a cabeça, percebe que seu rosto está em lágrimas: rezava temendo que o amante não viesse mais. Faustin então a abraça pela cintura e faz a Prisioneira experimentar prazeres que ela jamais imaginou.

Depois, satisfeito e já meio entediado, tendo ela inerte e frágil nos seus braços, ele anuncia a novidade: "Não é prudente que nos vejamos de novo" e vai embora.

A Prisioneira então, percebendo que perdera ao mesmo tempo a virtude e o amante pela que a tinha trocado, só deseja a morte: sobe fora de si a torre da abadia. Lá também está a Baronesa, querendo morrer como ela depois de ouvir os gemidos de volúpia que vinham do claustro ao lado. As duas se confessam vítimas do mesmo amor e, na solidariedade das almas sofredoras, pulam de mãos dadas da torre, se livrando das torturas do coração.

Naquele mesmo momento, Faustin o Libertino está fugindo com o jovem e belo Duque de Rocheville para as terras da Marquesa de Xanxerê, como previa o plano secreto.

O abade, voltando de porre aquela madrugada, acha os corpos da Baronesa e da Prisioneira da Virtude na frente da abadia. Por fim, tendo percebido seu erro fatal, vira monge beneditino.

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Faustin invade o claustro da Prisioneira da Virtude.

(Entram castratti. Arranjo barroco para "Do you believe in life after love?")

Posted by Rodrigo de Lemos at 03:59 PM | Comments (3)

setembro 01, 2006

Estava lendo este post do Tiago A. e lembrei que nem cinco anos faz direito que eu gostava da Hilda Hilst. Aí peguei Estar Sendo. Ter Sido e li um parágrafo pra ver. Parecia uma velha bagaceira dando aula de filosofia, quase a Dercy Gonçalves querendo te explicar Hegel: " Daí essa merda de Idéia Absoluta se manifesta na consciência, entendeu? Então vai tomar no cu."

Posted by Rodrigo de Lemos at 06:09 PM | Comments (3)