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julho 17, 2006

il piccolo principe

Estávamos discutindo se um conhecido nosso é um gênio ou uma besta - às vezes é difícil decidir, principalmente se a pessoa não morreu ainda - quando uma amiga resolveu a questão: a criatura tinha dito que o livro favorito dele na infância era "O pequeno príncipe", de Maquiavel.

Gênio.

Porque logo depois de ter dedicado "O príncipe" a Lorenzo de Medici, Maquiavel escreveu "O Pequeno Príncipe" para o filho de Lorenzo, Giovanni. Fui olhar a tradução de Ítalo Eugênio Mauro em pocket (L&PM, 112 páginas, 10 reais) e comprei na hora, uma obra-prima do realismo político aplicado à pedagogia. Deixo vocês com alguns dos trechos mais edificantes:

"E contra a ação nefasta de algumas tias e senhoras de meia-idade, tu deves imitar os exemplos dos antigos, dentre eles o do grande Alexandre, que mandou Pausânias executar o próprio pai por Felipe, no seu aniversário de 16 anos, ter-lhe apertado as bochechas na frente dos amigos e dado como presente, em vez da cidade de Tebas, um sacolé e um pacote de meias soquete."

"Pois não convém a um homem que queira governar ser governado por mulheres. (...) E assim, sendo a Fortuna mulher, e a tua mãe também, deves desobedecê-las e surrá-las se elas insistirem em te contrariar.".

"Pois é melhor ser um mau amigo temido do que um bom amigo traído. E tanto é assim que ficou célebre a história do pequeno Maximiliano Sforza, filho do grande Ludovico, que contratou por dez peças de ouro o condottiere Cadelão e mais cinco crioulos para fazerem num coleguinha que olhava com ardor demasiado para a sua namoradinha durante o recreio o que eles tinham feito com Lucélia Santos em Bonitinha mas ordinária. A empresa se realizou na noite seguinte e teve o sucesso que Maximiliano esperava; o único problema foi depois, ter de agüentar por muitos recreios o coleguinha o seguindo com olhinhos apaixonados."

Um livro para toda a família! E vem com ilustrações de Gustave Doré .

Posted by Rodrigo de Lemos at julho 17, 2006 10:59 AM

Comments

haha
muito bom, sempre

Posted by: ludovico at julho 27, 2006 10:24 PM

"...Maximiliano Sforza, filho do grande Ludovico..."

há.

(eu não esqueci do arquivo, não esqueci. até segunda o meu computador volta do conserto, e eu te mando.)

Posted by: rodrigo de lemos at julho 28, 2006 10:53 AM

Genial!

O arguto florentino também disse ao infante: "aqueles que simplesmente estão sobre o ursinho de pelúcia não têm como compreenndê-lo".

Posted by: Bródi Negão at julho 29, 2006 12:46 AM

Genial!

O arguto florentino também disse ao infante: "aqueles que simplesmente estão sobre o ursinho de pelúcia não têm como compreendê-lo".

Posted by: Bródi Negão at julho 29, 2006 12:47 AM

se não fosse o meu nojinho pela palavra "adendo", juntava ao post essa passagem esquecida (em nota e creditada, claro).

Posted by: rodrigo de lemos at julho 29, 2006 01:26 PM

Noutro dia estava conversando um papo meio borracha com uma amiga dos amigos do meu irmão, numa mesa de bar, achando-a meio chatinha (a amiga, não a mesa). Até que ela diz ser louca por arte, adorar pintura, ser fascinada por estudar a vida dos grandes artistas. Por um breve momento, a conversa começou a me interessar, até que ela completou: "Aquele, por exemplo, que cortou a língua, o Picasso!"
Levantei e fui embora na mesma hora.
Era uma idéia, quem sabe até, apresentá-la ao seu amigo, o que gosta de Maquiavel.

Posted by: Luis T Ladeira at agosto 8, 2006 12:51 AM

"louca por arte" como se fosse "louca por ovomaltine", conheço o tipo.

(mas talvez até tenha razão.)

Posted by: rodrigo de lemos at agosto 8, 2006 03:07 PM

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