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julho 29, 2006
the wit and wisdom of philippe cadet
Era uma manhã quente de Julho, e Philippe Cadet passeava pela floresta de Fontainebleau quando decidiu entrar no rio que tinha visto da estrada. Enquanto estava nadando na água fria, viu uma carruagem se soltar dos cavalos, depois capotar e colidir numa árvore. Philippe não pensou duas vezes; saiu correndo do rio - totalmente nu - e foi ver como estavam os passageiros; encontrou somente uma garota, ferida mas fora de perigo, que ele tirou dos destroços. Ela, porém, chocada pela nudez de Monsieur Cadet, mal conseguia agradecer. Ao que Pililppe, notando o embaraço da moça, explicou: "Desculpe, Mademoiselle, mas eu esqueci as minhas luvas."
Posted by Rodrigo de Lemos at 12:39 PM | Comments (5)
julho 26, 2006
sobre o valor do letramento das massas

Posted by Rodrigo de Lemos at 02:41 PM | Comments (2)
julho 23, 2006

Montgomery Clift: October 17, 1920 - July 23, 1966.
Posted by Rodrigo de Lemos at 03:54 PM | Comments (1)
julho 21, 2006
sobre o nordeste ser um grande cenário de tieta, ator se cair de quatro não levanta e toda índia ter tetas grandes e caídas
Um clichê é uma verdade tão óbvia que até um idiota percebe.
Posted by Rodrigo de Lemos at 11:45 AM | Comments (2)
julho 17, 2006
il piccolo principe
Estávamos discutindo se um conhecido nosso é um gênio ou uma besta - às vezes é difícil decidir, principalmente se a pessoa não morreu ainda - quando uma amiga resolveu a questão: a criatura tinha dito que o livro favorito dele na infância era "O pequeno príncipe", de Maquiavel.
Gênio.
Porque logo depois de ter dedicado "O príncipe" a Lorenzo de Medici, Maquiavel escreveu "O Pequeno Príncipe" para o filho de Lorenzo, Giovanni. Fui olhar a tradução de Ítalo Eugênio Mauro em pocket (L&PM, 112 páginas, 10 reais) e comprei na hora, uma obra-prima do realismo político aplicado à pedagogia. Deixo vocês com alguns dos trechos mais edificantes:
"E contra a ação nefasta de algumas tias e senhoras de meia-idade, tu deves imitar os exemplos dos antigos, dentre eles o do grande Alexandre, que mandou Pausânias executar o próprio pai por Felipe, no seu aniversário de 16 anos, ter-lhe apertado as bochechas na frente dos amigos e dado como presente, em vez da cidade de Tebas, um sacolé e um pacote de meias soquete."
"Pois não convém a um homem que queira governar ser governado por mulheres. (...) E assim, sendo a Fortuna mulher, e a tua mãe também, deves desobedecê-las e surrá-las se elas insistirem em te contrariar.".
"Pois é melhor ser um mau amigo temido do que um bom amigo traído. E tanto é assim que ficou célebre a história do pequeno Maximiliano Sforza, filho do grande Ludovico, que contratou por dez peças de ouro o condottiere Cadelão e mais cinco crioulos para fazerem num coleguinha que olhava com ardor demasiado para a sua namoradinha durante o recreio o que eles tinham feito com Lucélia Santos em Bonitinha mas ordinária. A empresa se realizou na noite seguinte e teve o sucesso que Maximiliano esperava; o único problema foi depois, ter de agüentar por muitos recreios o coleguinha o seguindo com olhinhos apaixonados."
Um livro para toda a família! E vem com ilustrações de Gustave Doré .
Posted by Rodrigo de Lemos at 10:59 AM | Comments (7)
julho 13, 2006
do gerador automático de frases
1) Versos de MPB/jovens poetas:
E então o + __________ (subst. abstrato, pref. de sentimento) + ___________ (v. de fenômeno climático: "chove","neva", etc.) + no meu/ na minha + __________(parte poético-sublime do corpo humano).
2) Festa gay:
Uma noite em + ____________ (lugar mitológico/metrópole européia) + com + ____________ (nome de travesti/figura bizarra de boate).
2.1.) Para criar o nome do travesti:
__________ (nome da sua cadelinha) + ____________(segundo nome da sua rua).
3) Frase para manifesto de arte de vanguarda:
Desde a/o + ___________ ("Rev. Industrial"/ "advento da escrita"/"descoberta do inconsciente") + a arte não pode mais + _____________ (qualquer coisa que a sua tia diga ser função da arte) + sob pena de + _____________ (qualquer coisa que você diga que deve ser a arte).
4) Xingamento de comentador de esquerda:
Vc é um + ________________!!!!! (elogio mais esperado por você no último ano. Em português errado, claro.)
Posted by Rodrigo de Lemos at 09:33 AM | Comments (2)
julho 08, 2006
em que morro sufocado pelo meu amor ao teatro
Num The Guardian já meio passado, um infeliz falando mal de Hay Fever*. Dizendo que Noel Coward é teatro pra quem não gosta de teatro. O que me parece muito estranho como crítica; teatro pra quem não gosta de teatro é exatamente a minha idéia duma boa peça.
Talvez por isso a melhor coisa que pode acontecer pruma peça é ela virar filme. E filmes que muito crítico não gosta, dizem que são stagey, mas se a gente visse como a maioria dos críticos se veste, waall... A versão de Orson Welles pra Macbeth, por exemplo, é stagey, e não consigo me lembrar de muitas coisas mais bonitas em teatro ou cinema do que Jeanette Nolan fazendo Lady Macbeth sonâmbula. Lembro também de como muita gente reclamou de Closer, de que ficou claro ser uma peça adaptada - aliás, acharam forçados aqueles diálogos, todo mundo fazendo força pra dizer coisas espertinhas o tempo todo, mas essas pessoas no geral gostaram de The Dreamers, e o que dizer dum filme em que as pessoas ficam fazendo força pra dizer coisas idiotas o tempo todo? E agora descubro que mesmo Hitchcock não gostava de Rope, justamente o meu Hitchcock favorito; dizia que era um experimento fracassado, que filmar peças quase sempre não dá certo. Bom, vou ter de prestar mais atenção nos ternos dele.
Ah, essas pessoas que insistem em não concordar comigo. Mas quero crer que existe sabedoria nessa gente, e que na verdade eles só reclamam de peça filmada porque se aparecer a filha da Regina Duarte de Fedra, bem, não vai adiantar muito o público atirar garrafas.
* Estou comprando por quase qualquer preço a versão filmada de Hay Fever para a TV, de 1939. Isobel Elson como Judith Bliss, Montgomery Clift num papel cômico, muito raro isso. Se alguém tiver, me avise.
Posted by Rodrigo de Lemos at 10:18 AM | Comments (0)
julho 05, 2006
a higiene do estilo, ou eu vou popotizar você
O único bom motivo que já acharam para se limpar manchas e pingos de gordura no estilo é simples e evidente, escrever bem. Mas já que vocês acham que escrever bem não é nada se a pessoa não tiver um bom coração, pode ser também por altruísmo, eu deixo. Tipo assim, ó, se alguém tivesse oferecido um cotonete quando os nazistas falavam em "higiene da raça", de quantos documentários do GNT sobre Auschwitz a gente não tinha se livrado?
Mas acho que foi a minha faxineira quem disse que se não limpar o estilo a tempo, depois incrusta e não sai. Ah, a sabedoria dessa gente que confecciona bonecos de Olinda em biscuit! Sessenta anos depois, leio críticas de filmes sobre a época da "higiene da raça", do "povo alemão unido numa única vontade" falando dos "horrores do nazismo", do "pesadelo da Segunda Grande Guerra".

"Horrores do nazismo", "pesadelo da Segunda Grande Guerra"? Ponta macia, cabo flexível...
Posted by Rodrigo de Lemos at 12:20 PM | Comments (0)
julho 02, 2006
pedicabo ego vos et irrumabo
Todas aquelas horas debruçado numa mesinha cheia de cupim e restos de pão dormido, decorando tabelas de declinações e das cinco conjugações verbais em latim com não mais que uma vela de sebo de cabrita, tudo isso teria valido a pena para ler Catulo no original se não fosse o dicionário do Ernesto Faria. Alguns poemas ficam quase impossíveis com um dicionário daqueles. Quer dizer, tem entradas para todas as formas irregulares e pretéritos perfeitos de quase todos os verbos - os de grego clássico que eu conheço não fazem isso com os aoristos - mas o léxico de baixaria é de matar, e sem um léxico de baixaria muito bom é difícil traduzir Catulo. E quase tudo que sobrou da literatura latina, by the way.
Na verdade, é o léxico de baixarias sexuais que é muito ruim; o de baixarias intestinais até que passa: tem todos os "merda, ae", "cacare", etc (perdão, et caetera). Um despudor que eu nunca entendi bem: não vejo grandes problemas em xoxota, caralho, fuder, mas o nome mais inocente e criancinha para ir ao banheiro me faz enrubescer como a irmã solteirona do Brigadeiro Sampaio, aquela que foi jantar na sua casa ontem e não quis comer carne de porco depois da novela pra não ter pesadelo.
(Mas acho que esse meu pudor se explica por Greta Garbo. Por algum motivo que não entendi ainda, é bem menos constrangedor imaginar ela doing it do que sentada no troninho.)
Lembro de um dia ter dado com "pruriat" num verso de Catulo; Ernesto Faria explicava como "ter desejos violentos, ter inveja". Escolhi "ter inveja"; achei o mais mauzinho. Quando fui comparar com traduções do inglês, do francês e do italiano, a tradução certa de "pruriat" era "estar de pau duro", o que me fez suspeitar se quando o autor do dicionário tentava uma ereção não sentia só inveja de quem conseguia.
Mas o pior foi "irrumo" (na primeira pessoa do futuro no verso do título). O Faria dá três significados: "1) Meter (algo) na boca de alguém, 2) dar de mamar (o seio), 3) sentido priapeu." Sentido priapeu! Traduzi, com toda a elegância e pudicícia que requer um clássico, por "meter o pau na tua boca".
Mas raiou o sol da liberdade, e finalmente achei um léxico latino pronográfico bem completo. Agora, fiquem com algumas palavrinhas úteis pra vocês xingarem taxistas e sussurrarem na cama para apimentar a relação ao som de Sade:
bicha
cinaedus, mollis (delicado), draucus, paedico, paedicator (ativo), pathicus (passivo), sessor (sentador)
buceta
cunnus; vulva; inguinis fossas; inguen lacerum (literalmente, o "sexo rachado", próximo ao viadês contemporâneo "racha")
caralho
mentula, verga, peniculus (pinto pequeno), pipinna (pipi)
chupar
fellare, já bem conhecido, mas com as derivações fellator, fellatrix (chupador, chupadora)
clitóris
crista, landica
cópula
coitus, fututio (daí fuder), amplexus (literalmente "abraço"; mulheres, não chorem!)
cu
culus, clunis, podex (eu teria medo de botar meu pinto numa coisa com esse nome)
dar (feminino)
dare
esporrear
exmucare (ver "porra")
ficar de pau duro
rigidam habere, rigere, monobelus (teso como uma lança)
fuder
libidinor, futuere (com as derivações fututor, fututrix: fudedor, fudedora), chalare
orgasmo
fructus Veneris (fruto de Vênus), summa voluptas (sumo prazer)
porra
mucus
punheta
facere soloecismum ("solecismo"; daí as relações entre relativismo e punheta intelectual)
puta
lupa (loba), scortum, suburana (puta barata)
sapatão
tribas
sodomizar
scindere (rasgar), paedicare
ser sodomizado
patere, mentulam cacare
testículos
cullei (saco de couro; também pode ser o saco de couro em que se coziam os parricidas), colei
E então o verso do título fica mais ou menos assim:
"Vou meter na boca e no cu de vocês,"
E o verso seguinte:
"Aureli pathice et cinaede Furi."
("Aurélio, sua passiva, e Furo, sua bicha.")
A elegância dos clássicos.
Posted by Rodrigo de Lemos at 12:10 PM | Comments (3)