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junho 13, 2006
punti luminosi
É fácil saber onde um escritor erra, é só ler o que ele escreveu sobre literatura. Tipo, nunca tinha ficado muito claro pra mim por que eu achava T.S. Eliot tão superior a Ezra Pound até eu ler Ezra Pound falando dos punti luminosi, coisas muito bonitas e muito ok sobre os punti luminosi, e perceber também que tem muito mais punti luminosi nos poemas do Eliot do que nos do próprio Pound (coisas como "The dead tree gives no shelter, the cricket no relief" spring to my mind).
Foi a mesma coisa com Portrait of a Lady. Bem escrito, descrições maravilhosas, muita pretensão - outro daqueles vícios mas nem tanto de que as pessoas falam mal sem motivo, como se a Praça de São Marcos pudesse ter vindo de algum impulso misterioso à humildade caboclinha - mas no todo o livro não me convenceu. Não que eu soubesse dizer exatamente o que era, mas o meu daimon ficava o tempo todo sussurrando que não, que estava faltando alguma coisa (isso eu já tinha percebido; estou muito mal de daimon. O do Sócrates pelo menos era mais inteligente do que o dono). Até que essa semana estava lendo The Art of Fiction, e o próprio James disse tudo: "the only source of the success of a work of art is that of being illustrative".
Porque foi bem no "being illustrative" que Portrait of a Lady ficou faltando. Claro, os diálogos são excelentes, o estilo é perfeito, os personagens são todos muito sofisticados, mas o problema é bem esse, eles são sofisticados demais, quase sensibilidades sem corpo. Todo mundo ali é tão inteligente e complexo que parece incapaz de qualquer preversidade que não seja sutil, de qualquer erro que não seja muito digno, ou ainda dessa coisa de gente vil e burrinha que é o sexo - uma brutalidade das mais comuns, que eu vejo prender a secretária do meu pai a um marido adúltero exatamente como Saint-Loup a Rachel ou o Barão de Charlus aos prostitutos que espancavam ele. E que talvez não faça falta numa farsa religiosa medieval ou num hino homérico, mas que eu acho fundamental num romance sobre motivação.
No fim, assim como os punti luminosi de Eliot são maiores que os do próprio Pound, Proust escreveu melhor "the substance of the human spectacle" do que James.
Posted by Rodrigo de Lemos at junho 13, 2006 01:47 PM
Comments
Olá, Rodrigo. Não posso comentar, porque - confesso - não entendi muito. Mas vim aqui mesmo pra te mostrar essa foto (clica no meu nome).
Até.
Posted by: Tiago A at junho 16, 2006 10:03 AM
^^
(obrigado, obrigado. tem mais?)
Posted by: rodrigo de lemos at junho 16, 2006 10:27 AM
se tropeçar em outra, te aviso.
Posted by: tiago a at junho 19, 2006 11:04 AM