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junho 19, 2006

em que confesso escandalosamente gostar de cansei de ser sexy e não saber quem foi beau brummell

E ontem mesmo, numa festa, uma criatura deu um tapinha na minha perna: "Mas tu é um dândi, não é?" - isso depois de eu ter comentado que o meu ex-professor de latim se vestia bem demais para poder ler a Eneida sem dicionário, já tive frases melhores -, o que é sempre uma pergunta cretina, já que se o outro for um dândi e disser que sim fica parecendo trop voulu e se ele for um dândi e disser que não parece aquela modéstia de tia quarentona que fez lipoaspiração e quer ser elogiada duas vezes. Se ele não for um dândi, quem perguntou é um idiota, e nem vale a pena responder.

Existe uma falta de tato mundana, filosófica até, em tratar o dandismo como uma coisa assim tão planejada, tão auto-consciente. A pose de dandismo é a única coisa que tem de vir naturalmente num dândi, e se ela não surge entre os primeiros reflexos condicionados e o aparecimento dos dentes, pode esquecer, é como querer que alguém aprenda a entortar colheres só olhando. Aliás, essa palavra mesmo já é por si só um incômodo, e o ideal seria que o dândi fosse o contrário de Alá: imagens dele por tudo, nenhum nome para designar. Mas ele não é, e não somente ele não é como já fizeram até este teste para medir dandismo - aconselho vocês a passarem direto para as perguntas; só leiam a introdução se tiverem feito um score muito baixo e estiverem a ponto de beber curare. E se vocês não sabem inglês, esperem tradução minha na Atrevida de julho, junto com outro daqueles testes com as mulheres do Sex & The City.

Ah, antes que venham comentar que eu já estou tentando ser dândi ao dizer que o bom dandismo não deve ser auto-consciente, deixem eu falar pra vocês que eu respondi pra criatura aquela da festa que eu sou um ex-dândi, que dos dez aos doze anos eu passava os dias em casa, de terninho, ouvindo Debussy, mas que depois eu comprei a minha primeira bermuda e o meu primeiro cd de música pop e aí puff.

Posted by Rodrigo de Lemos at junho 19, 2006 02:45 PM

Comments

Que texto bom, Rodrigo. Digno de um ex-dândi.

Posted by: tiago a at junho 20, 2006 02:53 PM

não fui eu, tiago, foi o daimon.

Posted by: rodrigo de lemos at junho 22, 2006 01:04 PM

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