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junho 25, 2006
a difícil arte de fazer amigos sendo desagradável
Tem um cara estranho no meu prédio que eu apelidei de Bozó e que tem uns óculos muito grandes e um cabelo grosso e meio ondulado que ele penteia pra frente, que nem eu vi uma vez num galã de filme de Bollywoood. Dizem que ele é boa gente, e eu acredito: toda aberração, na falta de qualidades melhores, apela para a bondade. Só vou acreditar que Jesus Cristo era mesmo tão bonzinho se me provarem que ele tinha uma mão morta, um tico na testa.
Pensamentos assim profundos nos levam a uma divisão enterna entre os amigos: os aleijados, exemplos de abnegação e altruísmo por nos emprestarem dinheiro, e os outros, com quem a gente sai para fazer belle figure - e acaba gastando neles o dinheiro emprestado pelos aleijados. Nunca tive um amigo paraplégico que não se arrastasse até o bar para me pegar um drink; nunca tive uma amiga meio Ava Gardner que não ficasse esperando alguém pagar bebida. Acabei apresentando o paraplégico pra Ava Gardner e atualmente eles vivem em mutualismo no balcão do Pinacoteca. E desse jeito tudo anda em harmonia, sacaram? Tipo assim, Yin e Yiang.
(Post escrito depois de o Bozó ter ajudado meu carro a pegar à uma da manhã de ontem no estacionamento.)
Posted by Rodrigo de Lemos at junho 25, 2006 11:12 AM
Comments
O inferno tem as melhores piadas, definitivamente.
Posted by: david at junho 29, 2006 03:19 PM
Eu posso concluir que você tem ajudado alguma amiga meio Marilyn Monroe a empurrar o carro às 3 da matina?
Um abraço,
Marcos
Posted by: Marcos Matamoros at junho 29, 2006 04:04 PM
ai, marcos, não faz assim que eu me tremo todo na minha cadeira de rodas!
david, estou me mudando, então.
:-)
Posted by: rodrigo de lemos at julho 2, 2006 02:37 PM