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maio 22, 2006
pierrot le con
Semana passada tive a sorte de pegar Pierrot Le Fou no Telecine.
Andava procurando faz tempo e finalmente consegui. Mas que merda de filme, hein? E tu disse que era bom, eu lembro. Tá certo que falar mal de Godard é meio démodé, o próximo passo é criticar a Lya Luft e sair de blaser com a manga arregaçada, mas vamos combinar que aquilo é insuportável. E eu nem sou daqueles que sonha com um filme perfeito em tudo, até por questões sanitárias - um roteiro de Billy Wilder com direção do Visconti seria um convite à eterna melancolia por o mundo não ser tão bem filmado. Mas Pierrot Le Fou exagera; não dá pra salvar nada. É um daqueles 2 hours nothing que só um francês sabe fazer por você. Só não é mais clichê libertário 60's/70's que Teorema, do Pasollini. O roteiro é soporífero, não tem clímax, não tem tensão - aliás, como a maioria do Godard. As cores são horrendas. E Anna Karina, Deus. Anna Karina fazia tanto esforço pra parecer francesa; ninguém me convence de que ela não era uma colombianita ilegal forçando aquele sotaque só pra passar na imigração.

Jennifer Lopez em "Love Don't Cost a Thing"
E olha que eu não sou desses fanáticos anti-Godard. Quase sempre gosto de alguma coisa nos primeiros filmes dele, e acho que um deles é mesmo uma obra-prima (oh!), Vivre Sa Vie - melhor que À Bout de Souffle, certo, mas muita coisa é melhor que À Bout de Souffle. Me lembro de ter visto Vivre Sa Vie um ano atrás no cinema; achei genial. Tinha história, tinha humor, tinha charme, mas mais do que isso, me pareceu que o Godard se divertiu fazendo o filme. Tão raro isso, um diretor que pareça se divertir fazendo o próprio filme. Aí, no outro dia, peguei Contempt na locadora. Jack Palance. Um Ulisses fantasiado de Fred Flintstone. Brigitte Bardot pelada, de peruca, repetindo o tempo todo "I contempt you". Godard só pode ter filmado Brigitte Bardot pelada pra se vingar de uma briga em casa com a Anna Karina, sei lá, por ela ter esquecido alguma coisa no forno. Contempt, pra se vingar do espectador.
Estava me lembrando que em Vivre Sa Vie tem uma grande cena de dança, das mais bonitas que eu já vi. Band À Part também tem uma, excelente. Já Contempt não tem nenhuma e Pierrot Le Fou uma bem fraca - toca um rock esquisitinho, legalzinho até, e uma menina sixties meio desmilingüida começa a se tremer toda. O que deve ter a ver com a droga que são Contempt e Pierrot Le Fou. Isso, e o Godard ter ficado meio broxa.
Posted by Rodrigo de Lemos at maio 22, 2006 08:11 PM