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maio 31, 2006

jeu de paume, uma paixão nacional

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Bellini: "Esse aí de costas é o Garrincha, grande Mané Garrincha! Maior joueur de paume em todos os tempos! (Não, eu nunca disso isso do Pelé e do Maradona, capaz.) O Mané foi muito meu amigo, sabe; grande homem, grande jogador, grande pai de família. Sempre bêbado, claro, mas cê é brasileiro, de perna torta, e ainda casa com a Elza Soares, vai querer o quê?

A gente andava sempre junto, só que eu acabei me afastando depois da Copa de 62. Nunca entendi muito bem o que deu na cabeça dele; parece que um jornalista chamou ele de Príncipe das Pernas Tortas e, pronto, ele não deixava que ninguém chamasse ele de Garrincha, só Mané de Garrincha. Aí, o Mané começou a andar por aí todo maquiado, de peruca de rolinho, a Elza sempre acorrentada, ele apresentando ela como escrava preta. Ai, um dia eu disse que ele ficava parecendo um mestre-sala daquele jeito (risos); ele me expulsou da casa dele e a Elza apareceu na janela: "Ninguém fala assim do meu Mané!" e me atirou uma chaleira de mijo fervido. Com aqueles dois era assim mesmo, não tinha mole! (risos)"

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A raça e vibração da torcida: "Agora, todo brasileiro é um torcedor, todo torcedor é um técnico!" (Galvão Bueno)

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Carlos Alberto Parreira: "Para mim, esse foi o momento mais tenso da copa de 94, o saque do Cavalheiro de Sainte-Hermine contra o Marquês de La Motte. Decisão de final, o mundo inteiro assistindo; era o Cavalheiro errar o saque que o jogo estava perdido. Aí ele finalmente bateu na bolinha. Quando o Marquês começou a correr para o rebate, eu te digo que fechei os olhos e fiquei jurando para Deus e para o meu assistente Legrandin que se aquela bolinha quicasse na quadra do Marquês eu ia dar 120 onças de ouro para o orfanato do Abbé de Saint-Benoît. Quando eu abri de novo o Marquês tinha tropeçado nos saltos e estava sentando de perna aberta no chão com a peruca toda torta na cabeça, "Uh, non, Vierge Mère, ooo lala". Aí, a bolinha desceu, quicou uma vez na cabeça dele e, pof, caiu no chão. Senti um grito de emoção vindo do fundo da alma, um grito de alegria e de vibe positiva e de orgulho de ser brasileiro; levantei do banco e fiz uma mesura. Da quadra, o Cavalheiro de Sainte-Hermine me respondeu com outra, enquanto retocava o rosto com pó.

Nisso, eu percebi uns gritos na arquibancada e Madame de La Fayette desmaiada num canto e um monte gente amontoada sobre alguém. Mandei Legrandin ir ver o que tinha acontecido. Qual não foi o meu alívio quando ele voltou dizendo que era o Abbé de Saint-Benoît, que tinha enfartado de emoção quando o Cavalheiro deu o saque!"

Posted by Rodrigo de Lemos at maio 31, 2006 04:14 PM

Comments

A mesura-moleque, a mesura-arte, ainda tem lugar. Isso é bom, caros amigos. Nossa tradição não inclui a mesura de resultado.
(...)
O retoque da pó é dramáaaatico!

Posted by: Igor at junho 1, 2006 09:48 AM

Grand! Mané, Galvão Bon et Charles Albert Axe de Vigne. Vous êtes fabuleux!!!

(:...i love google's translator...:)

Posted by: dado at junho 2, 2006 11:53 PM

axe de vigne! axe de vigne, caros amigos! uma mesura-moleque para o google translator!

Posted by: rodrigo de lemos at junho 3, 2006 10:37 PM

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