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abril 17, 2006
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Portugueses são estranhos. Ficam pensando que Portugal parou no tempo. E que isso é ruim.

Viu como não é ruim?
Eu queria que o Brasil tivesse parado no tempo. Lá por 1850. Latim no colégio, palmatória, poder engravidar uma virgem. Também praticar alguma vocação da época, quem sabe a de sinhozinho. Não por algum problema com negros, claro. Se nós tivéssemos escravizado argentinos, canadenses, também ia gostar. Viu só como eu sei dar uma reboladinha pra driblar acusações de racismo?
(Mas ainda bem que foram negros. Aqueles corpos morenos trabalhando ao sol.)
Acho que devia ter uns oito anos quando percebi pela primeira vez a tensão sexual que existe na escravidão. Inventei na hora o Tião, o amiguinho imaginário com quem eu brinquei a primeira vez de Mostra o Teu Que Eu Mostro o Meu. Infelizmente o Tião era negro, e eu sempre perdia. Anyway, fiquei feliz uns anos depois, quando vi a cena de Tony Curtis e Lawrence Olivier na banheira em Spartacus. Confirmou a minha impressão dos oito anos.
Esses dias vi uma entrevista com Gore Vidal. Contando que a idéia pra essa cena foi dele. Também para o reencontro de Ben-Hur com o romano aquele que eu não sei o nome. Disse pro ator que fazia o romano que os dois eram amantes. Pra Charlton Heston nada (too straight). E quando os dois se revêem é aquela coisa, só falta tocar "Endless Love", Charlton Heston não entendedo nada. Impressão minha ou Gore Vidal era obsecado por plantar referências homoeróticas em filmes na Antigüidade? Mas tá, eu gosto dele.
Voltando à escravidão, acabou a reforma aqui em casa. Desde as Pirâmides tanta gente suada sofrida e morena não se reunia pra construir alguma coisa.
(Minha mãe está ficando espírita. Praga tua que eu sei.)
Posted by Rodrigo de Lemos at abril 17, 2006 08:00 PM
Comments
Mas esse nome, Gore Vidal, o que esperar, né.
Posted by: Olivia at abril 17, 2006 10:37 PM
mas, ah, eu gosto do nome dele até. vidal, bonito.
(lembrei agora de um amigo que troca obsessivamente o nome dele por "al gore". isso sim não me agrada.)
Posted by: rodrigo de lemos at abril 18, 2006 10:06 AM
só não gostei da parte de engravidar virgem!
hahahah
bjo rô!!!
Posted by: cami - sat at abril 18, 2006 10:58 AM
de fato, é muito século XIX. mas deve ser legal depois fugir de um pai furioso, querendo me obrigar a casar.
saudade, camila. como está?
Posted by: rodrigo de lemos at abril 18, 2006 11:25 AM
peguei o vidalzito na biblioteca. agora vou ler o ensaio dele sobre o edmund wilson.
Posted by: Olivia at abril 18, 2006 04:40 PM
Vidal é gente boa. Tem uma ficção chata, mas é gente boa.
O ensaio dele sobre o Edmund Wilson é bacana--Edmund Wilson, com sei-lá-que-idade, sabe o que está lhe matando; ele não tem dúvidas como o fulano (não lembro o nome do cara que ficou se perguntando o que estava sentindo)!
Posted by: Sesti at abril 18, 2006 09:45 PM
ainda não li o ensaio sobre edmund wilson, mas aquele sobre "os doze césares" do suetônio tem umas tiradinhas Fundamentais para Entender a Civilização Ocidental.
o que não gosto em gore vidal é o fato de ele não esquecer por cinco minutos que é gay. claro, talvez seja porque os outros também não esquecem.
Posted by: rodrigo de lemos at abril 18, 2006 10:23 PM
ah, gay.
eu desconfiei.
sesti, esse trecho é genial. "wilson, aos 60 anos, não pergunta: o que será isso? como byron. wilson sabe. 'esse tipo de vida', escreve, com certo pudor, 'a longo prazo porém, vai ficando pouco saudável'"
e na verdade vidal me pareceu overly preocupado com o fato de que wilson não gostava de gays.
Posted by: Olivia at abril 19, 2006 08:41 PM