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março 30, 2006

l'éloge de l'amour

Sabe quem está por trás de Meg Ryan & Tom Hanks e dos chaveiros I Love You e de Paul et Virginie e dos romances de Joaquim Manuel de Macedo e dos depoimentos melífluos no orkut e de "Total Eclipse of the Heart" e da depressão da sua tia desquitada e de Eu sei que vou te amar e dos posts confessionais de blogueiras carentes? Isso mesmo, aquela coisa que cristãos querem que seja universal. Quando cristãos me falam de amar todos os seres, fico imaginando o tamanho da música do Fábio Júnior que o amor universal ia dar.

O que desmoraliza o amor é isso, a quantidade de coisinhas glicosadas que já se fizeram em nome dele. Talvez porque dos sentimentos elevados seja ele o naturalmente mais acessível a todos, sem precisar de cotas. É a migalha de Ideal que diverte quem não tem muita imaginação. Aí, aquela secretária carente (sempre ela), que passou o fim de semana inteiro sofrendo pelo chefe grisalho porém casanova, chega no domingo à tarde e não se contém: descarrega o peso de suas paixões violentas em alguma coisa vagamente parecida com um poeminha chamado "Lágrimas de Dor".

Foi assim que Yates escreveu "Niver Give All Your Heart" num guardanapo.

O ruim do amor é exatamente isso: ele excita a imaginação de quem não tem muita. Talvez porque ele não viva fora dela. Amar o que não existe não seria mais que triste, se também não fosse redundância.

Posted by Rodrigo de Lemos at março 30, 2006 03:06 PM

Comments

Ah, o amor!!!

P.S. o blog fica horrivelmente ruim de se ver no firefox.

Posted by: Carol at março 31, 2006 05:07 PM

obrigado pelo aviso, carol.

Posted by: rodrigo de lemos at abril 1, 2006 10:24 AM

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