« e o que seria de nós sem o marcos frota não é mesmo, minha gente? | Main | sabedoria de boate »

fevereiro 09, 2006

não vi, mas chorei muito *

Muita emoção na saída de "Bareback Mountain". Duas bichas só pararam de tremer quando ameaçaram com eletrochoque. Outra ficou desmaiada na cadeira. Se recuperou depois que um segurança a carregou no colo até a enfermaria do shopping, mais ou menos como noivo segura a noiva para entrar em suíte de lua-de-mel. Ao chegar na enfermaria, bem que eu vi ela piscando o olho para as amigas invejosas do lado de fora.

Mas também "Brokenback Mountain" é uma emoção só. Impossível não se deixar tocar pela história, apesar da polêmica. Em meio às montanhas do Wyoming, o vaqueiro Fernando Diaz Rutchenko (Francisco Cuoco) - na verdade um agente da KGB eviado ao México para matar o refugiado Leon Trotsky - se perde no deserto e toma o vaqueiro Friedrich Ribentropp (Rutger Hauer) por Frida Khalo - então amante de Trotsky - devido à semelhança dos bigodes. O resto vocês sabem: o que começa como "contato de trabalho" termina como "namoro (homens e mulheres)". Eu sei, o conteúdo pode parecer chocante, mas as cenas de amor são muito discretas, sem apelação, mesmo quando Ribentropp revela de maneira um tanto imprópria para menores de 18 anos que não é Frida Khalo - eu mesmo me surpreendi, os bigodes são realmente muito parecidos. E o final então: super realista. Diaz Rutchenko abandona a missão e vai morar com Ribentropp. Os dois acabam tendo um filho - que nasce com cara de mexicano, Deus sabe como - e o ex-cowboy Ribentropp acaba seus dias numa fazenda, fritando bolinhos de carne com batata, cuidando dos cinco filhinhos multiétnicos enquanto Diaz Rutchenko enche a cara em prostíbulos do Wyoming. O que não deixa de denunciar a opressão da mulher sob o regime socialista, como levantou esta crítica de Ted Nugent no New York Times.

Enfim, gostei bastante de "Abu-Beker Mountain", apesar de não ter visto e de no geral não gostar muito desses filmes com gays-que-não-são-bichas. Diretores de filmes com gays-que-não-são-bichas parecem filmar com um censor do Movimento Gay ao lado: "Manda o Stephen Fry não desmunhecar tanto", "Por que esse gay tem que ter uma amiga chamada Dorothy?" Tirando "Alexandre", que mostra os feitos heróicos de Alexandre Magno e o feito heróico do diretor em convencer Colin Farell a ser filmado com outro gajo, é sempre tudo muito forçado. Já de "Alexandre" eu gostei. Podem dizer que é cafona; podem dizer que é mal feito; podem até caluniar, inventar que é de Oliver Stone. Mas tive contrações no útero ao ver a antiga Babilônia, ao ver um exército indiano do século IV A.C., ao ver uma falange macedônia em ação. Mais realista que isso só ao vivo; talvez se a Disney montasse um parque temático "Alexandre, o Grande" e encenasse a Batalha de Gaugamela para os turistas. Robin Williams montado num elefante, fantasiado de Dario III, dublando temas escritos por Phill Collins especialmente para a hora da batalha.

Já consigo imaginar a engenhosidade da letra; seria uma baladinha arrastada e teria um teclado açucaradinho, bem Phill Collins, ó:

"In the Plain of Gaugamelaaa
There you'll be freee
In the Plain of Gaugamelaaa
Just you and meee"

(Agora diz, diz que letra da Disney - e do Phill Collins - não é bem assim, diz.)

________________________________________

* Ou "À procura do título perfeito".

Posted by Rodrigo de Lemos at fevereiro 9, 2006 10:37 AM

Comments

hahahhaha
esse é o único blog com textos grandes q eu tenho paciência de ler... ótimo

Posted by: ramiro at fevereiro 12, 2006 11:36 PM

eles são bem bichas, rodrigo, acredite. "amorr, entao vamos nos encontrar todos os anos em bareback". aham.

Posted by: b. at fevereiro 13, 2006 02:47 PM

Mas há opções mais rápidas: clique em b.

Posted by: b. at fevereiro 13, 2006 04:05 PM

Ou ainda, "Bareback Top Gun".

Posted by: b. at fevereiro 13, 2006 04:08 PM

hello, ramiro, tudo bem contigo?

breno, é absolutamente repugnante imaginar tom cruise e val kilmer fazendo o "bareback mountain". gostaria de jamais ter visto isso na vida, estou ultrajado, onde está a TFP para a gente recorrer numa hora dessas? ;-)

abraço

Posted by: rodrigo de lemos at fevereiro 14, 2006 03:52 PM

Post a comment




Remember Me?