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janeiro 14, 2006
waltinho, um brasileiro
(Para Kayla Yu)
Waltinho estava eufórico com a formatura da mãe. Tanto que se dispôs a organizar para ela uma noite inesquecível. Ligou marcando o lugar da recepção; comprou os salgadinhos, as bebidas; mesmo a toga e a roupa para depois da cerimônia ele fez questão de inspecionar. Falava para todos: "A minha mãe está se formando. Direito, direito!", levantando um dedinho orgulhoso. E então se dispersava em sonhos de glória; via os flashes, a mãe recebendo o diploma, bonita e maquiada, ao fundo tocando "Dancing Queen".
Todo mundo se alegrava com a felicidade de Waltinho. Bonito um sentimento assim tão forte dum filho pela mãe. Tinha sido assim também quando ela se casou pela terceira vez.
Quando chegaram os convites, Waltinho se prontificou a distribuir.
Wanda não saiu do telefone do escritório aquele dia: os convites, não tinham defeito? o número certo? e Waltinho, conseguiu entregar a tempo? Mas ligava para o celular dele: ninguém atendia; em casa, uma mensagem acusava problemas no aparelho.
Sua preocupação virou histeria quando uma amiga ligou no fim da tarde; Waltinho não tinha passado ainda. Logo ela, a casa ao lado da sua. Saiu do escritório meia hora antes do fim do expediente.
No ônibus, foi terrivelmente mãe: temia por Waltinho assaltos, acidentes, males súbitos.
Finalmente chegou em casa. Estranhou o fio do telefone cortado, o espelho espatifado por um copo de whisky, suas bonecas de pano esfaqueadas na mesa de centro.
Nada do filho. Foi então que ouviu um choro abafado no quarto.
Lá, encontrou Waltinho com seu vestido de noiva, dando tesouradas nos convites de formatura:
- VAGABUNDA! ELA SEMPRE CONSEGUE TUDO! TUDO!
Posted by Rodrigo de Lemos at janeiro 14, 2006 02:47 AM
Comments
Chore não, Waltinho. Imagine o que os colegas achavam dela...
Posted by: mauro at janeiro 14, 2006 11:00 PM