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janeiro 18, 2006
histórias tão reais quanto eu gostaria
E naqueles dias de calor sufocante, com a casa em reformas e, portanto, sem ar condicionado, foi sobreviver com o do shopping. Escrevia um poema sobre uma palhaça suicida que morria recitando o monólogo de Fedra; faltou-lhe o nome do tranqüilizante tarja preta para a cena da overdose. Desceu até a farmácia:
- Escuta, que que tu tem de tranqüilizante forte, porrada mesmo?
- Lorazepan, Lexotan, Rivotril - o balconista olhou para ele com desconfiança - Mas só com receita.
Ao que lhe veio o impulso a uma inocente maldade; arregalou os olhos numa careta de Emma Bovary mastigando arsênico e perguntou com a voz ofegante:
- E se eu tomar muito disso, eu morro?
- Ãh...Ãh... - o blaconista foi correndo chamar o gerente, enquanto o falso suicida fugia da farmácia convencido: "romance at short notice was really his speciality."
Posted by Rodrigo de Lemos at janeiro 18, 2006 10:53 AM