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dezembro 15, 2005
bryan ferry é um rodrigo de lemos wannabe
Estava vendo páginas sobre Bryan Ferry na internet e - Deus! - como ele gosta de me imitar.
Se fosse cobrar royalties das letras do Roxy Music que foram idéias minhas, não restaria um terninho acinturado, uma camisa Saint-Laurent naquele armário impecável. No verão de 1972, por exemplo, nos encontramos num bar de hotel em Havana; desde Yale não nos víamos, e passamos a madrugada inteira juntos, tomando mojitos e falando de conquistas de faculdade e comendo vermes de ouvido afogados em tequila (um deles era "Slave to Love", que eu sei). Ele estava em férias como gerente do almoxarifado de uma loja de cortina em Londres, e eu, com muita modéstia, contei a ele o que estava fazendo na América Latina: o sucesso, as noitadas no Ritz, as roller-girls nuas, a turnê com o Roxy Music, a peruca de Brian Eno - morena, crespa e até o chão, grudada com velcro na lãzinha que ele mandou costurar na careca especialmente para ela:
- Num show, e eu acho que foi durante "Ladytron", um rodie pisou num chumaço e o velcro fez "KKKKRRRR...". Pensei que tinha sido o sintetizador, e só me dei conta quando vi o público rindo da careca do Brian. - e ríamos, e ríamos, e tomávamos mais mojitos.
Contei para ele também de Baby Jane, minha garota, que andava seriamente perturbada e tinha ficado em Acapulco cuidando de uma irmã ex-estrela de cinema, na época já paralítica, e que morreria misteriosamente afogada na piscina do hotel na noite posterior. Enfim, mais uma história triste na vida de uma underground star como eu.
No fim da noite, me despedi; voávamos para o Rio na manhã seguinte.
Não é que meses depois, quando Bryan Ferry passou a história da peruca ao The Sun, com fonte e tudo, e Eno me expulsou do grupo, e chamou Ferry para cantar no meu lugar em sinal de gratidão, ah, qual não foi minha surpresa ao ouvir a letra de "Virginia Plain":
Baby Jane's in Acapulco; we are flyin' down to Rio"
(...)
Havana sound we're trying hard edge the hipster jiving
Last picture shows down the drive-in
You're so sheer, you're so chic,
Teenage rebel of the week.
Não, rapazes, não pode ser só coincidência.
Desde então, Bryan Ferry ficou totalmente obcecado por mim. Nos anos 70, foi para cama com Jerry Hall só porque tivemos um caso; usava roupas de onçinha para imitar meu guarda-roupa; revirava meu lixo; roubava minha lingerie, minha escova francesa; Brian Eno, no inverno de 73, me mandou um torpedo desesperado, dizendo que Ferry ficava horas na frente do espelho, cantando com as sombrancelhas caídas para ter um olhar tão casanova quanto o meu. Terminava o torpedo pedindo "pow meo volta p/ nós!!!". Na época já estava assinando contrato para substituir David Bowie nos shows de David Bowie - os Spiders tinham decidido expulsá-lo da sua própria turnê naquela semana - e recusei. Roxy Music, quem se importa com Roxy Music.
Mas a punição por tanta maldade "Louca Obsessão" veio anos depois. Bryan Ferry foi eleito por seis anos consecutivos como the coolest guy in Britain. Mais un-cool impossível.



Brian Ferry em diversas tentativas fracassadas de ser eu.
Posted by Rodrigo de Lemos at dezembro 15, 2005 03:03 PM