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outubro 01, 2005

a macaca olga no museu

Olga passeava no museu,
Enquanto eu nos salões a seguia;
“As virtudes de um reles cristão
Não valem kaloì kaì agathía.”

Foi nisso que pensei quando vi
Sua cara de macaca, estóica
Como um deus que despreza os mortais
Na pose de uma planta monóica.

Tudo o que era beleza e vigor
Tinha nela um tropo simiesco;
O prazer de estar num bananal
É o mesmo que encontrava no afresco

Em que via, Ecole de Poussin,
Cenas de coragem coriolana
Com heróis, que lhe deviam ser
Só metáforas de uma banana.

“Ça vous plaît?”, mais perto, perguntei,
Pois Olga farejava a pintura;
Pisquei, dei-lhe um cravo e recebi
O escarro que é o “sim” da casta pura.

(A etiqueta eupátrida é tão dura!)

Com isso, o seu beiço entumesceu,
E a beijei, ao que enxerguei de esguelha
A tal dissecação, de Rembrandt,
E um Amor picado de uma abelha.

Posted by Rodrigo de Lemos at outubro 1, 2005 09:56 PM

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