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maio 13, 2005
sobre como broxar lendo proust
é só eu ouvir a palavra "experimentalismo" ou "forma reacionária" que me vem um gosto ácido na boca. assez, por favor, assez: qualquer coisa sobre a qual um teórico possa se masturbar pede pra que a gente se afaste. tudo, absolutamente tudo, de bergaman a the smiths (sim, sim, na mother england um grupo de acadêmicos está fazendo análises estruturais em cima do requebrado sensual do morissey. oh gee; dá para ver como as minhas possibilidades de prazer estão diminuindo.)
por isso, meu único prazer ultimamente tem sido corpos se exercitando na rua. são uma das poucas coisas sobre as quais o rolland barthes não escreveu e que as universidades não comentam - o que é um abençoado desperdício, porque algumas estão cheias de atletas que pedem para ser violentados. é neles que ainda dá para achar aquele prazer egoísta de ter 16 anos e ouvir bach trancado no quarto ou ver filmes do fritz lang; algo que faz você esquecer os churrascos em família ou a pochete do colega de aula. já o resto - pintura, cinema, literatura - está contaminado por barbudos feios e assexuados sussurrando desinterias como "parataxe" e "mito da autoria" no meu ouvido. e o pior são os perdigotos, ah, os perdigotos que esta gente solta!
mas não precisava ser assim. a alegria que um velasquez nos proporciona não é muito diferente da alegria que se sente ao ver a curva dum quadril ou um bíceps no lugar. e já imaginou se você, finalmente sozinho com aquela criatura que foi objeto de meses e meses de fantiasia onanística, se você é obrigado a ouvir um crítico no quarto ao lado dizendo que ela "até é bonita, mas não é inventiva", ou que seu pau só está duro porque ela é clarinha, o que é só mais uma manifestação da lógica racial opressiva da sociedade brasileira? e não que isso tudo não possa ser verdade; tenho grande simpatia pelos piores motivos que se possam imaginar para a conduta humana; mas, por cortesia - sim, sim, esse mandamento tão saudável que devia ser respeitado em qualquer, mas em qualquer ocasião - por cortesia, ninguém vai sair por aí estragando o one night stand dos outros, não é mesmo? e então por que deveria ser assim com proust ou monteverdi?
logo, o que passa nos "meios intelectuais" (hmm) por alta discussão não é mais que o uso desenfreado da "capacidade crítica", esse presente-de-al-qaeda do século XVII, que nos faz procurar celulite na criatura enquanto ainda estamos em cima dela.
e daí decorre: a invenção da crítica sociológica é a principal causa de impotência em homens acima de 40 anos.
Posted by Rodrigo de Lemos at maio 13, 2005 12:24 PM